Recomendações do MP e repercussão nas redes sociais
O Ministério Público (MP) notificou o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) sobre a inclusão da barra dinâmica como um dos requisitos para aprovação no Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso. Essa recomendação, datada de 26 de fevereiro, ganhou destaque nas redes sociais, onde surgiram comentários misóginos por parte de alguns homens, refletindo preconceitos ainda presentes em nossa sociedade.
Os comentários, que inundaram as postagens do Corpo de Bombeiros, incluem afirmações de que as mulheres não deveriam participar do concurso. Um dos áudios compartilhados na internet expressa essa visão: “Olha só, mulher reclamando de ter que fazer barra pra ela passar. O mínimo é uma barra. Agora, se ela quiser classificar, tem que fazer mais. É assim. Ela está querendo o quê?” Esse tipo de discurso não apenas desconsidera a realidade de muitas candidatas, mas também perpetua a ideia de que as mulheres são menos capazes em atividades físicas, algo que o MP busca combater.
Discriminação de gênero nas provas físicas
A recomendação do MP salienta que a exigência da barra dinâmica ignora as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres, o que pode ser interpretado como uma forma de discriminação de gênero. A prática é de suma importância, uma vez que a manutenção de critérios avaliativos que não consideram a biologia feminina limita o acesso das mulheres a cargos públicos, conforme afirmação feita no documento oficial.
O Teste de Aptidão Física (TAF) inclui a barra dinâmica, que é um exercício de força em que a pessoa deve realizar a flexão e extensão dos braços na barra fixa, alternando entre subir e descer o queixo. Por outro lado, existe a barra estática, um exercício em que a pessoa deve sustentar o próprio peso na barra fixa por um determinado período, sem movimento. Enquanto a primeira tende a gerar uma reprovação considerável entre as mulheres, a segunda tem mostrado resultados mais equilibrados.
Dados alarmantes sobre a reprovação em concursos
O documento do MP menciona que a adoção do teste de barra dinâmica tem levado a índices alarmantes de reprovação entre candidatas. Em 2008 e 2011, quando a prova foi a da barra estática, as taxas de reprovação foram equivalentes para homens e mulheres. Contudo, em 2016, a situação se agravou significativamente: 89,5% das mulheres foram reprovadas em um concurso da Polícia Civil, enquanto menos de 2% dos homens não conseguiram passar.
Mais chocante ainda é o caso ocorrido em 2025, no concurso do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, onde a barra dinâmica resultou em uma taxa de reprovação de 70% entre as mulheres, enquanto apenas 6% dos homens não foram aprovados. Esses números revelam uma disparidade preocupante que precisa ser abordada urgentemente para garantir oportunidades iguais a todos os candidatos.
O g1 tentou contato com o CBMDF a respeito da recomendação e das críticas recebidas nas redes sociais, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno. A situação levanta um debate importante sobre a real igualdade de condições para mulheres em concursos públicos e a necessidade de uma revisão criteriosa nos métodos avaliativos utilizados.

