Michelle Bolsonaro e Bia Kicis garantem mandatos no Senado pelo Distrito Federal
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), 44 anos, confirmou sua eleição ao Senado pelo Distrito Federal neste domingo (4), consolidando sua posição como uma liderança feminina de peso na direita brasileira. Com 100% das urnas apuradas, ela alcançou 29,05% dos votos válidos, totalizando cerca de 938 mil sufrágios, superando o recorde de Cristovam Buarque, que obteve 833.480 votos em 2010.
Companheira de chapa de Michelle e também apoiada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso por tentativa de golpe de Estado, a deputada federal Bia Kicis (PL) assegurou a segunda vaga ao Senado com 27,44% dos votos, aproximadamente 886 mil, desbancando a candidata à reeleição Leila Barros (PDT), que recebeu 21,25% dos votos e contava com o apoio do presidente Lula (PT).
Na disputa pelo Senado, a deputada federal Erika Kokay (PT) ficou em quarto lugar, com 18,91% dos votos, não obtendo a eleição. Outros candidatos ao Senado pelo Distrito Federal incluíram Sebastião Coelho (Novo), Guilherme Amorim (UP), Guto Felício dos Santos (PSDB), Marley (Avante), Zanata (PSTU) e David Horn (PCO).
O papel político de Michelle Bolsonaro na campanha
Michelle Bolsonaro emergiu como uma importante referência do PL para atrair o eleitorado feminino e evangélico, setores estratégicos para o partido. Ela também atuou como cabo eleitoral neste pleito, compensando a ausência de Jair Bolsonaro nas campanhas dos aliados. A Folha registrou a movimentação de diversos candidatos que foram a Brasília para gravar material de campanha ao lado da ex-primeira-dama.
Inicialmente, durante a pré-campanha, Michelle avaliou a possibilidade de não concorrer, afirmando que sua prioridade era cuidar do marido, que cumpre prisão domiciliar por questões de saúde. Sua candidatura ao Senado foi oficializada em agosto, após um desentendimento público com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), motivado por acusações de desrespeito político. A reconciliação entre os dois ocorreu poucos dias depois, e eles apareceram juntos em propagandas eleitorais. No entanto, o engajamento de Michelle na campanha presidencial foi inferior ao esperado por alguns aliados.
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Michelle acompanhou a apuração eleitoral ao lado do marido em sua residência no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, onde vivem com as filhas Letícia Firmino, de 23 anos, e Laura Bolsonaro, de 15. Durante a campanha, ela liderou as pesquisas de intenção de voto ao Senado, de acordo com levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira (1º), aparecendo isolada com 23% das intenções.
Perfil e trajetória de Michelle Bolsonaro
Natural de Ceilândia, maior região administrativa de Brasília, Michelle trabalhou como secretária parlamentar na Câmara dos Deputados entre 2004 e 2008, período em que conheceu Jair Bolsonaro. O casal oficializou o casamento civil em 2012 e realizou cerimônia religiosa no ano seguinte, conduzida pelo pastor Silas Malafaia.
Durante a campanha, Michelle destacou sua origem popular, mencionando em jingles que chegou a vender laranjas no semáforo na infância. Sua atuação junto à comunidade evangélica foi um dos pilares de sua campanha, reforçada pela sua experiência no governo Bolsonaro, onde focou em políticas sociais voltadas a pessoas com deficiência e doenças raras.
Em 2023, Michelle assumiu a presidência do PL Mulher e atuou em convenções estaduais para fortalecer candidaturas femininas nas eleições municipais de 2024. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a filiação feminina na ala do partido cresceu 14%. Com a prisão de Jair Bolsonaro, seu nome passou a ser cogitado como possível candidata à Presidência, pontuando melhor em algumas pesquisas que seus enteados em cenários de segundo turno contra o presidente Lula (PT).
A ascensão política da ex-primeira-dama provocou tensões internas no clã Bolsonaro, incluindo críticas à aproximação de bolsonaristas com o candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), adversário político de Bolsonaro.
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Michelle Bolsonaro assumirá o mandato no Senado em 2027, integrando uma estratégia da direita para eleger uma bancada capaz de promover o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A primeira suplência da senadora será ocupada por seu irmão, Diego Torres Dourado (PL).
Perfil e atuação de Bia Kicis
Bia Kicis, natural de Resende (RJ), 65 anos, é uma das figuras mais ativas da oposição ao governo Lula e ao STF, defendendo pautas conservadoras como a restrição ao aborto. Eleita deputada em 2018 com cerca de 86,4 mil votos, foi reeleita em 2022 com 214,7 mil votos.
Ela presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) entre 2021 e março de 2022, em um processo marcado por resistência de ministros do STF. Kicis é autora de projetos que buscam instituir o voto impresso nas eleições e retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras durante a pandemia. À frente da CCJ, tentou impedir que Bolsonaro fosse chamado de “genocida” e atuou para limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal, recebendo críticas inclusive de aliados por um tuíte que incitou motim e elogiou um policial militar que disparou contra um ponto turístico em Salvador.
Formada em direito pela Universidade de Brasília (UnB), Bia Kicis é procuradora aposentada do Distrito Federal. Após sua eleição ao Senado, agradeceu os eleitores em vídeo publicado nas redes sociais, afirmando que exercerá o mandato “com muita alegria e responsabilidade” e solicitou votos para Flávio Bolsonaro no segundo turno, destacando a continuidade da batalha política.

