Um Patrimônio Cultural em Destaque
O Mercado Sul, localizado em Taguatinga, é um dos principais espaços de produção artística e memória coletiva do Distrito Federal. Desde sua construção no final da década de 1950, antes mesmo da criação de Brasília, o mercado se tornou um centro vital de cultura popular e arte na região. Ao longo de mais de quarenta anos, o local tem sido revitalizado por artistas e moradores, que buscam manter viva a identidade cultural do espaço.
Desde 2015, essa efervescência cultural ganha força com a Ocupação Cultural Mercado Sul Vive. Essa iniciativa transformou lojas abandonadas em novos pontos de arte e cultura, além de reivindicar o reconhecimento do Mercado como Patrimônio Cultural Imaterial do DF.
Um Legado Capturado em Fotolivro
Um registro significativo desse legado foi realizado pelo Coletivo Retratação no fotolivro intitulado “Mercado Sul: Um Chão de Cores – Memórias do Beco da Cultura de Taguatinga (DF)”, lançado em 21 de fevereiro, durante as comemorações de 11 anos da ocupação. O projeto foi idealizado pelo jornalista e fotógrafo Webert da Cruz e pela percussionista e antropóloga Ana Noronha.
O fotolivro apresenta um acervo histórico que inclui fotografias, pesquisas, textos e depoimentos. Essa obra narra a rica trajetória cultural do Mercado Sul e as transformações por que passaram as diversas gerações de artistas e moradores do Beco da Cultura, como também é conhecido o local.
“A pesquisa nos trouxe uma nova perspectiva sobre as complexidades desse lugar que encanta, mas que enfrenta muitos desafios, como a infraestrutura e a manutenção das atividades culturais”, relata Webert da Cruz, destacando a importância de documentar essa história viva.
Homenagem a Ivaldo Cavalcante
O livro também presta uma homenagem ao renomado fotojornalista Ivaldo Cavalcante, um cearense que se estabeleceu em Taguatinga. Durante a década de 1970, Ivaldo foi pioneiro ao registrar a cultura vibrante da comunidade e seus arredores.
A antropóloga Ana Noronha, que colaborou na criação do fotolivro, enfatiza o poder de criação e fortalecimento de laços que o Mercado Sul representa. Ela afirma que a luta pela transformação do Mercado em Patrimônio Cultural Imaterial do DF é crucial, não apenas para preservar a identidade do local, mas para garantir que ele receba a atenção necessária das políticas públicas.
“A importância social, comunitária e histórica do Mercado Sul é imensa. Precisamos garantir que esse espaço seja reconhecido e protegido”, destaca Noronha.
Movimentos em Prol da Patrimonialização
Em 2015, foi feito o primeiro pedido formal de patrimonialização do Mercado ao Governo do Distrito Federal. Desde então, diversas mobilizações têm ocorrido. Em 2021, a campanha “Mercado Sul é patrimônio cultural material e imaterial do DF” mobilizou artistas e cidadãos em prol da causa, intensificando o debate sobre a preservação do espaço.
Atualmente, a questão está sendo discutida por um grupo de trabalho do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (CONDEPAC-DF), que integra a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF. Este passo é essencial para fortalecer a luta pela proteção do Mercado Sul.
Uma Exposição Que Valoriza a Cultura Local
Além do fotolivro, o projeto Chão de Cores lançou também uma exposição fotográfica que apresenta diferentes perspectivas sobre as práticas culturais do Mercado Sul, incluindo teatro popular, artes visuais, cultura ballroom, capoeira e samba. “Este livro e a exposição celebram as pessoas que construíram essa história, valorizam aqueles que permanecem e incentivam a construção de um futuro promissor”, afirma Ana Noronha.
A mostra conta com registros fotográficos de 13 artistas que atuam no movimento cultural do Mercado Sul, entre eles Angel Luís, Davi Mello, Diana Sofia, e muitos outros. A exposição está aberta até o dia 27 de março, com entrada gratuita.
Os visitantes podem conferir a exposição no Espaço Okupa, no Mercado Sul, e são incentivados a solicitar mediação pedagógica coletiva, com agendamento prévio, para escolas e projetos educativos.
