Indiciamento e Denúncias
A Polícia Civil do Distrito Federal anunciou o indiciamento da diretora e da vice-diretora da Escola Classe 03 da Estrutural por maus-tratos a crianças de apenas 3 e 4 anos. Apesar das acusações surgidas há dois anos, os pais afirmam que as profissionais continuam exercendo suas funções na instituição. Segundo relatos de pais e profissionais da escola, uma sala conhecida como “sala das emoções” era utilizada como uma espécie de espaço de contenção para crianças que choravam, especialmente aquelas diagnosticadas com transtorno do espectro autista. As investigações indicam que a sala apresentava tatames pretos no chão, paredes escuras e janelas cobertas com película, criando uma atmosfera opressiva.
Nos depoimentos, uma professora relatou que as crianças mostravam resistência em ir para a sala e, ao saírem, muitas vezes estavam acuadas e até machucadas. Em algumas situações, alunos se escondiam debaixo das mesas, demonstrando o impacto emocional que esse espaço causava.
Repercussão e Ações Futuras
O inquérito, já encaminhado ao Ministério Público, busca uma resposta efetiva para os casos denunciados. O portal g1 já está tentando estabelecer contato com a defesa das diretoras para obter uma posição oficial sobre os acontecimentos. Em nota, a Secretaria de Educação do Distrito Federal revelou que o caso já havia passado por uma apuração administrativa, mas novas informações encontradas nas investigações levarão a uma reavaliação das providências a serem tomadas em relação às gestoras.
Conforme informa Paula Cristina, mãe de um aluno que frequentou a escola, a “sala das emoções” foi mencionada por uma professora ao sair da instituição. Após questionar seu filho, que relatou experiências negativas, ela decidiu registrar um boletim de ocorrência. “A janela era sempre fechada com uma película escura. A sala era bastante pequena e meu filho dizia que ficava aterrorizado no escuro, gritando. Ele acabou desenvolvendo traumas e dificuldades em ficar sozinho”, recorda.
Justificativas e Visão da Direção
Em defesa, a diretora afirmou que a “sala das emoções” foi criada com o intuito de apoiar alunos e funcionários em momentos de desregulação emocional, especialmente aqueles com autismo. Segundo ela, as crianças eram acompanhadas por um professor e permaneciam no local por períodos que variavam de cinco a dez minutos. Contudo, os pais contradizem essa afirmação, alegando que não foram informados sobre a existência desse espaço durante reuniões no início do ano letivo.
Na conclusão do inquérito, a Polícia Civil destacou que as diretoras ultrapassaram os limites do poder pedagógico ao expor as crianças a situações que colocavam em risco sua saúde e bem-estar, caracterizando abuso de meios de correção.
Posicionamento da Secretaria de Saúde
Em um comunicado, a Secretaria de Estado de Educação do DF (SEEDF) enfatizou que, apesar da apuração administrativa anterior, o surgimento de novas informações exige uma reavaliação do caso. A Corregedoria da Secretaria solicitará acesso aos documentos do inquérito policial para verificar as provas e determinar se será necessário reabrir a investigação no âmbito administrativo disciplinar.
A SEEDF reafirmou seu compromisso de repúdio a quaisquer práticas que infringem os direitos dos estudantes, ressaltando a importância da proteção dos alunos e da rigorosa apuração de todas as denúncias.

