A Cultura e Seu Papel Transformador
À frente da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, Marília Marton Correa vem construindo uma carreira que une gestão pública e inovação na cultura. Desde sua formação como socióloga até sua atuação em diversas esferas da administração, Marton destaca a importância de compreender as transformações constantes no conceito de cultura. Para ela, a cultura atual ultrapassa as linguagens tradicionais, englobando áreas como tecnologia, design e economia criativa.
Marília Marton, que nasceu em São Paulo e atualmente reside no Bom Retiro, acredita que acompanhar a dinâmica das mudanças tecnológicas e implementar políticas públicas flexíveis são fatores cruciais para que a cultura se mantenha relevante e formadora de cidadãos críticos.
Trajetória e Influências
Com uma trajetória marcada por experiências significativas, Marton começou a trabalhar na Assembleia Legislativa em 1999, ao lado do deputado Turco Loco, onde pôde se relacionar com as demandas sociais e culturais dos jovens. Inicialmente, sua intenção era atuar na comunicação, mas o desejo de ser especialista em política a conduziu para a gestão pública. “A gestão pública faz parte do meu caminho”, reflete.
Antes de sua nomeação para a secretaria estadual, Marton teve uma experiência enriquecedora em São Caetano, onde atuou como secretária de Governo e diretora administrativa na Câmara Municipal. Essa vivência lhe proporcionou uma visão mais abrangente sobre a administração pública e os desafios enfrentados por uma cidade com bons índices. O aprendizado que obteve durante seu mestrado em cidades inteligentes é utilizado para lidar com as mudanças necessárias diante da automação e novas tecnologias que afetam a indústria.
Democratização do Acesso à Cultura
Uma das prioridades de Marton tem sido a democratização do acesso à cultura. A ampliação do ProAC (Programa de Ação Cultural) é um exemplo de como o governo estadual busca fomentar iniciativas culturais. O fortalecimento de co-produções entre empresas da capital e do interior tem sido uma estratégia eficaz para desenvolver núcleos criativos nas diversas regiões do estado. “Hoje, realizamos atividades culturais em todos os 645 municípios de São Paulo”, destaca.
Equilibrando Investimentos
O equilíbrio entre os investimentos culturais na capital e no interior é um desafio constante. Para isso, a secretaria criou várias estratégias, incluindo o aumento do fomento para o interior e o incentivo à produção cinematográfica fora da capital. Esse esforço visa garantir que a produção cultural se espalhe por todo o estado, evitando a concentração em apenas uma região.
Reconhecimento da Cultura como Prioridade
Ao assumir a secretaria, Marília já conhecia a estrutura interna, o que facilitou a identificação dos desafios a serem enfrentados. Para ela, a cultura hoje é muito mais do que teatro, música e cinema; abrange também games, cultura pop e outras manifestações contemporâneas. Ampliar essa visão dentro da secretaria tem sido uma de suas principais missões.
Potencial da Economia Criativa
Marton reconhece que a cultura possui uma vasta cadeia produtiva, essencial para a geração de empregos. A criação do CultSP Pro, uma escola de formação de profissionais da cultura, surgiu como uma resposta à perda de mão de obra qualificada durante a pandemia. “Precisamos preparar novos trabalhadores para esse setor”, afirma.
Tecnologia e Preservação do Patrimônio Cultural
A digitalização de acervos culturais e a utilização de novas tecnologias são aliadas na democratização do acesso e na preservação do patrimônio. Marton tem explorado soluções tecnológicas que podem ampliar o alcance das iniciativas culturais e fortalecer a memória coletiva.
Identidade Cultural no Grande ABC
O Grande ABC, reconhecido por sua rica tradição cultural, é objeto de atenção especial. A secretaria busca fortalecer a identidade cultural da região por meio de parcerias com instituições locais, como a Fundação das Artes e o projeto Criar. A personalização de cursos de acordo com a vocação de cada cidade é uma estratégia para valorizar a cultura local. “Santo André, por exemplo, tem uma cena forte de stand-up”, comenta.
Cultura na Educação
A intersecção entre cultura e educação é outra prioridade. Marília destaca um estudo que revela os benefícios da atividade musical no desenvolvimento cognitivo das crianças. O projeto Guri, que oferece atividades musicais em escolas, está em expansão e agrega outras disciplinas artísticas, visando integrar a cultura no cotidiano escolar.
O Papel da Cultura nas Comunidades
Em um mundo cada vez mais cercado por algoritmos que nos isolam em bolhas, o papel da cultura se torna ainda mais fundamental. “A cultura deve romper essas bolhas, provocando reflexões e ampliando o repertório das pessoas”, afirma. Para ela, a diversidade cultural é essencial para formar um pensamento crítico nas comunidades.
Desafios Futuros na Gestão Cultural
Marília conclui que a cultura está em constante transformação e identifica a necessidade de agilidade nas políticas públicas para acompanhar as mudanças. A adaptação às novas tecnologias e a inclusão de vozes femininas na cultura são desafios que ainda precisam ser enfrentados. “As mulheres têm conquistado espaços importantes, mas a luta pela igualdade social continua”, finaliza.
