A Polêmica do Controle de Clubes
BRASÍLIA – O empresário Luiz Estevão, aos 76 anos, não é apenas um sócio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na organização da Supercopa Rei, mas também o dono informal de cinco times de futebol profissional do Distrito Federal. Este fato levanta sérias questões sobre a legalidade e a ética de sua atuação, especialmente em relação ao fair play financeiro da CBF, cuja integridade ele parece desafiar ao controlar clubes que competem entre si.
A legislação vigente, especialmente a Lei Geral do Esporte, proíbe que uma única entidade tenha mais de um clube disputando as mesmas competições. Tal configuração pode indicar manipulação de resultados e comprometer a lisura das partidas, um aspecto que a CBF se comprometeu a defender sob a liderança de Samir Xaud.
O Envolvimento de Luiz Estevão
Procurado pela imprensa, Estevão defende a ideia de que é apenas o proprietário do Brasiliense, explicando que empresta jogadores para outros clubes como forma de mantê-los ativos e valorizados. No entanto, investigações do Estadão revelaram que o ex-senador exerce uma influência maior do que o declarado, impactando diretamente o desempenho e as classificações das equipes no Candangão, campeonato local que equivale aos estaduais.
Nos últimos dois meses, foram reunidos diversos indícios sobre a gestão dos times, levando a CBF a se posicionar sobre a questão, embora a entidade tenha afirmado não estar ciente de qualquer investigação formal. A situação se complica ainda mais quando se considera a posição de Estevão dentro das equipes, onde sua presença constante em vestiários e nas arquibancadas é notável, gerando descontentamento entre torcedores rivais.
Impactos nas Competições Locais
O controle de Estevão sobre clubes como Brasiliense, Samambaia e Aruc, recém-promovido da segunda divisão, levanta dúvidas sobre a imparcialidade das competições. No último campeonato, um episódio emblemático ocorreu quando o empresário solicitou o retorno de jogadores emprestados ao Samambaia, desfalque que prejudicou o time na disputa por uma vaga nas semifinais. A decisão, embora justificada por Estevão como uma estratégia para reforçar seu time, levantou suspeitas sobre suas intenções, visto que o Brasiliense acabou se beneficiando desse movimento.
O vínculo de Luiz Estevão com os clubes não é apenas uma questão de gerenciamento, mas também envolve uma rede complexa de relações que incluem financiamentos e parcerias. O Metrópoles, site que ele ajudou a fundar, tem sido um dos principais veículos cobrindo os jogos do Candangão, e tem buscado adquirir direitos de transmissão de todos os times, criando um cenário que, segundo críticos, favorece ainda mais Seu domínio sobre as competições.
Denúncias e Falta de Responsabilidade
Apesar das preocupações levantadas, muitos dirigentes de outros clubes têm se mostrado relutantes em discutir a situação de Luiz Estevão abertamente. O presidente da Federação de Futebol do Distrito Federal (FFDF), Daniel Vasconcelos, ilustrou a dificuldade em abordar o tema, alegando que a relação de propriedade não pode ser facilmente dissociada, comparando-a à posse de veículos registrados em nomes diferentes. Tal comparação, no entanto, não apaga as preocupações sobre a configuração de poder que Estevão mantém entre os clubes.
Um dos pontos cruciais no debate é o novo Sistema de Sustentabilidade Financeira da CBF, que proíbe expressamente que uma organização exerça controle sobre mais de um clube na mesma competição. Essa diretriz visa garantir a integridade dos campeonatos e proteger os interesses dos torcedores, preservando a imprevisibilidade dos resultados, um princípio essencial no esporte.
A Resposta de Luiz Estevão
Em resposta às acusações, Luiz Estevão negou categoricamente ser o dono dos cinco times em questão, alegando que seu foco é o Brasiliense. Ele também expressou sua intenção de expandir sua influência comprando um clube no Rio de Janeiro, o que, se concretizado, poderia trazer novas complexidades ao seu envolvimento no futebol brasileiro. “Pode se preparar que eu vou seguir em frente”, comentou o empresário, que continua a ser uma figura polêmica no cenário esportivo.
A presença de Luiz Estevão no futebol do Distrito Federal e sua gestão de múltiplos clubes continua a gerar debate e controvérsia, à medida que a CBF se esforça para implementar regras mais rigorosas e promover a integridade do esporte. Contudo, a efetividade dessas regulamentações e a real capacidade de fiscalização permanecem como desafios centrais para o futuro do futebol em Brasília e no Brasil.
