Uma Caminhada por Justiça
Na tarde do último sábado (10), familiares e amigos do professor João Emmanuel Moura, que foi encontrado sem vida em um ponto de ônibus no Distrito Federal, se reuniram em uma emocionada passeata em Isaías Coelho, no Piauí. A mobilização, que contou com a presença do vice-prefeito da cidade, George Moura (PSD), pai da vítima, teve como objetivo prestar as últimas homenagens e clamar por justiça. Munidos de fotos de João e cartazes com frases impactantes como “a vítima nunca é culpada” e “nós vamos exigir justiça”, os participantes marcharam em memória do docente.
Ao final do ato, um momento simbólico de soltura de balões foi realizado em frente à Paróquia Sant’Ana e São Joaquim, onde uma missa de 7º dia foi celebrada em honra ao professor. O pároco, padre José Gildásio Silva, emocionou os presentes ao entoar uma canção que falava sobre o céu ganhando uma ‘estrela verdadeira’, refletindo a esperança de um futuro sem violência e a prevalência do amor.
“Ele nos ensinou muito. Era alegria em forma de gente, sempre foi um amigo verdadeiro, companheiro leal, pessoa simples e muito humilde. A gente pede orações por ele e, depois, justiça”, declarou Everardo Moura, tio de João, em entrevista ao g1.
Investigação em Andamento
As investigações sobre o assassinato de João Emmanuel avançam com a análise de imagens disponibilizadas pela Polícia Civil, que mostram um suspeito, identificado como Guilherme Silva Teixeira, caminhando nas proximidades do crime antes do ocorrido. O professor foi encontrado morto na manhã do dia 4 de janeiro, em uma área de mata ao lado de uma parada de ônibus, a poucos metros de sua residência.
De acordo com relatos de familiares à TV Globo, João havia passado a noite na casa da irmã e, na madrugada de domingo, solicitou um carro de aplicativo para retornar para sua casa. O suspeito foi detido em flagrante na noite de segunda-feira e, conforme informações da Polícia Civil, confessou ter agredido João Emmanuel com chutes e socos, além de pisotear seu rosto. A polícia considera a possibilidade de motivações homofóbicas por trás do crime.
A Luta por Justiça e Memória
Essa tragédia trouxe à tona a necessidade urgente de discutir a violência contra a comunidade LGBTQIA+ e a impunidade em casos similares. A passeata, além de ser um ato de lembrança, também serve como um forte apelo para que as autoridades competentes tomem medidas efetivas no combate à homofobia e na proteção dos direitos humanos. A dor de perder um ente querido em circunstâncias tão brutais gera um clamor por justiça, não apenas por João Emmanuel, mas por todos aqueles que já enfrentaram a violência e a discriminação.
Os familiares e amigos de João continuam esperançosos de que a justiça seja feita e de que sua memória seja honrada por meio de mudanças significativas na sociedade. Como concluiu o tio do professor, “nós não vamos desistir de buscar justiça”. A mobilização em Isaías Coelho é um reflexo dessa determinação coletiva e do desejo de um futuro mais seguro para todos.
