Ex-governador Enfatiza Necessidade de Mudanças em Brasília
José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal e atual pré-candidato ao Palácio do Buriti, anunciou na terça-feira (20 de janeiro de 2026) sua intenção de retornar ao cargo, afirmando que quer “resgatar Brasília”. Durante uma entrevista ao portal Poder360, Arruda expressou sua preocupação com o estado atual da administração pública na capital federal.
“Infelizmente, a gestão atual está passando por uma fase crítica. Essa é uma das motivações que me levam a querer voltar à vida pública nesta etapa da minha trajetória”, declarou Arruda, que fez críticas ao governo de Ibaneis Rocha (MDB), mencionando que as obras na cidade “começam e não terminam” sob a liderança atual.
Ele exemplificou sua insatisfação citando a construção do viaduto da Asa Norte, que, segundo ele, está levando mais tempo para ser finalizado do que a construção de Brasília sob a supervisão de Juscelino Kubitschek. “As minhas obras sempre começavam e eram concluídas. A situação hoje é diferente”, afirmou Arruda.
Além disso, o ex-governador destacou a importância de ouvir a população e mencionou que ainda há tempo para corrigir os erros administrativos. “Devemos trabalhar na construção de novas linhas de metrô para melhorar a mobilidade urbana. Também é fundamental retomar as escolas de educação integral e os programas sociais que implementamos no meu governo, além de estabelecer uma segurança pública que sirva de exemplo para o país”, enfatizou.
Se eleito em 2026, Arruda enumerou suas três prioridades: saúde, educação e transporte. “A educação é a base para o futuro. O legado que desejo deixar é o resgate do projeto de educação integral”, comentou.
Arruda, que foi responsável por expandir o metrô de Brasília durante seu mandato entre 2007 e 2010 até a Ceilândia, ressaltou a necessidade de novas ampliações para atender à demanda crescente. A cidade enfrenta um aumento no tráfego de veículos, o que ele acredita que pode levar a um colapso no sistema de transporte. “Se eu for eleito, iniciaria a ampliação do metrô a partir de Gama e Santa Maria”, declarou.
O político, que se filiou ao PSD (Partido Social Democrático) em dezembro de 2025, acredita que sua presença poderá revitalizar o partido, que considera ter uma história significativa, sendo o mesmo que elegeu Juscelino presidente da República.
Durante a entrevista, Arruda também se referiu à sua condenação por improbidade administrativa, mantida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em outubro de 2025. Essa decisão está vinculada a um dos processos da Operação Caixa de Pandora, que investigou corrupção no governo do Distrito Federal em 2009.
Com essa condenação, Arruda enfrenta a possibilidade de inelegibilidade até 2032, a menos que haja uma mudança na interpretação da Justiça. Contudo, a análise de sua elegibilidade será feita apenas no momento do registro da candidatura, com o prazo final para a Justiça Eleitoral receber as inscrições previsto para 15 de agosto de 2026. Arruda, por sua vez, demonstrou otimismo, afirmando ter “fé” de que tudo dará certo.
O advogado Fábio Souto, especialista em direito criminal, esclareceu que a Lei Complementar 2019, de 2025, alterou a Lei da Ficha Limpa, estabelecendo que a inelegibilidade começa a valer após a decisão que resultar na perda do mandato ou renúncia, e não mais no término do mandato. Arruda afirmou que está plenamente elegível para concorrer em 2026, citando que o prazo de oito anos para sua inelegibilidade começou a contar a partir da decisão de segunda instância, datada de 17 de junho de 2014, já tendo, portanto, expirado em 2022.

