Iprev-DF Avalia Venda de Ações do BRB em Meio à Crise Financeira
Brasília – Em meio a um cenário turbulento para o Banco de Brasília (BRB), onde as ações despencaram 44% desde a deflagração da Operação Carbono Oculto, o Instituto de Previdência do Distrito Federal (Iprev-DF) manifesta a intenção de reduzir sua participação na instituição financeira, da qual detém 12,3% das ações ordinárias. A operação da Polícia Federal revelou um esquema de fraudes envolvendo mais de R$ 12 bilhões com o Banco Master, um dos maiores acionistas do BRB. A situação gerou uma série de preocupações que permeiam diferentes esferas, incluindo aposentados, pensionistas, servidores ativos e até órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do DF (TCDF).
Os questionamentos são numerosos. O que acontecerá com as aposentadorias e pensões dos servidores diante do escândalo? O fundo de previdência pode sofrer impactos irreversíveis à medida que as ações do BRB continuam a perder valor? Raquel Galvão, diretora-presidente do Iprev-DF, afirma que “neste momento não seria prudente [a venda de ações do BRB], porque a gente não conseguiria fazer nenhuma venda e obter um resultado positivo. Temos que esperar o melhor momento para negociar”.
Atualmente, o valor das ações do BRB está em R$ 4,81, bem inferior ao valor de R$ 8,86 calculado em dezembro de 2025, que estipulava a quantia em R$ 531 milhões. Com a desvalorização superando os 50%, a expectativa de uma recuperação mais robusta parece distante, exacerbada pela recente crise. “O risco previdenciário é a capacidade do próprio fundo de arcar com aposentadorias e pensões”, alerta uma fonte próxima ao BRB.
A participação do Iprev-DF no BRB tem diminuído ao longo do tempo. Quando começou a investir no banco em 2017, a participação era de 16,7%, caindo para 15% em março do ano passado e, agora, para os atuais 12,3%. O GDF também reduziu sua fatia, que chegou a 80,3% em dezembro de 2020 e caiu para 65,6% em agosto de 2024. O que se observa é uma migração de ações para investidores menos tradicionais, que aumentaram sua participação de 10,6% para 25% nesse mesmo período.
Apesar das incertezas sobre o futuro do BRB, o Iprev-DF nega que a redução de sua participação tenha relação com as fraudes do Banco Master. Raquel Galvão reitera que a intenção de vender as ações é uma consequência de considerações financeiras que já estavam em pauta antes da crise. “É uma intenção e possibilidade futuras. No momento não é vantajoso. Hoje somos sócios do BRB por meio de uma lei distrital, mas os RPPS não podem ter ações de sociedades anônimas”, explica.
A preocupação entre aposentados e servidores é evidente. O temor de que a estrutura do Iprev-DF, que já perdeu considerável participação no banco, possa ser ainda mais afetada é palpável. Em um cenário extremo, a possível liquidação do BRB poderia deixar o instituto com sérias dificuldades financeiras. O deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF) destaca: “A primeira consequência é que você vai precisar repor. Se os recursos deixam de existir, o Tesouro [do DF] vai precisar fazer aportes. Vai deixar de pagar aposentadoria? Hoje não. Mas no pior cenário, o Iprev pode ficar descoberto.”
O fundo dos servidores aposentados e pensionistas do GDF também expressa inquietação com a recente notícia de que o Iprev fez aplicações millonárias no FIP Venture Brasil Central, administrado pela Trustee DTVM, vinculada ao Banco Master. Raquel Galvão garante que não houve prejuízo e que o Iprev já recuperou o que investiu no fundo.
“Estamos aguardando a extinção do fundo”, afirma Galvão. O retrato atual do Iprev demonstra uma carteira total de R$ 8,315 bilhões, com as ações do BRB representando 6,39% desse montante. A combinação de uma gestão prudente e a necessidade de salvaguardar os interesses dos cotistas é o que o Iprev-DF busca, em meio a um ambiente de incertezas no mercado financeiro.
