Uma realidade preocupante
Conforme o mais recente perfil epidemiológico sobre hábitos de vida no Distrito Federal, divulgado pela Secretaria de Saúde (SES-DF), 31,1% dos adultos, ou seja, pessoas acima de 18 anos, relatam sofrer de insônia. Esse estudo, que utiliza dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), também aponta que 20% dos entrevistados indicam uma duração de sono noturno inferior a 6 horas.
Os dados abrangem informações coletadas entre 2006 e 2024, e, a partir deste ano, a SES-DF passou a monitorar com maior atenção a duração e qualidade do sono da população. Essa iniciativa visa traçar um panorama mais preciso sobre a saúde dos brasilienses e os fatores de risco associados ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão e diabetes.
A importância do sono
A pneumologista e especialista em medicina do sono, Géssica Andrade, que atua no ambulatório do sono do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), ressalta que o sono desempenha um papel fundamental na recuperação do corpo. “É durante a noite que o organismo se repara. As consequências de noites mal dormidas vão além da fadiga. A falta de sono provoca dificuldades de concentração, lapsos de memória e um raciocínio mais lento”, explica a médica.
Adicionalmente, Andrade alerta que a insônia pode afetar o estado emocional, contribuindo para o aumento da ansiedade e do estresse, além de potencializar sintomas depressivos. “O impacto da privação de sono é profundo e pode levar a alterações hormonais que aumentam a fome e facilitam o ganho de peso, além de prejudicar o controle da glicemia e da pressão arterial”, observa.
Estratégias para noites melhores
Para melhorar a qualidade do sono, a especialista enfatiza que, muitas vezes, pequenas mudanças de comportamento são mais eficazes do que o uso de medicamentos. O corpo tende a responder melhor quando há previsibilidade nas rotinas. “Tente dormir e acordar pelos mesmos horários diariamente. Reduzir o uso do celular à noite e evitar cafeína, energéticos ou álcool antes de dormir pode ajudar bastante”, recomenda Andrade.
Criar um ambiente propício para o sono também é essencial. “Um quarto escuro, silencioso e confortável favorece um descanso de qualidade. A prática regular de exercícios físicos, desde que não seja muito tarde, também contribui”, complementa a especialista.
Além disso, Andrade destaca que a preocupação excessiva com a capacidade de dormir pode se tornar um fator impeditivo. “Dormir não deve ser uma luta. A ansiedade em relação ao sono pode atrapalhar ainda mais”, alerta.
Quando buscar ajuda profissional
Se mesmo após adotar essas técnicas de higiene do sono os problemas persistirem, é aconselhável procurar ajuda profissional. O primeiro passo deve ser feito nas unidades básicas de saúde (UBS) do Distrito Federal, onde os pacientes são acolhidos pelas equipes de saúde da família. Dependendo da gravidade dos sintomas, poderá ocorrer encaminhamento para atendimento especializado, incluindo o ambulatório do sono no Hran.
“Dormir bem é essencial para transformar o dia a dia e, ao longo do tempo, impacta na saúde como um todo”, conclui Andrade.

