Incêndios florestais avançam com o calor intenso

Durante o último fim de semana, centenas de bombeiros lutaram contra incêndios florestais que consumiram mais de 17 mil hectares na França, Espanha e Portugal. O calor extremo que ainda atinge o continente europeu contribuiu para a rápida propagação das chamas, colocando em alerta as autoridades locais. A previsão indica que as temperaturas podem alcançar novamente os 40°C nesta semana, pressionando ainda mais o combate aos focos de incêndio.

Impactos e respostas na França e na Espanha

Na França, quase 600 bombeiros foram mobilizados para conter um incêndio que destruiu mais de mil hectares em Trevillach, próximo a Perpignan. As medidas adotadas incluíram o fechamento de estradas e a abertura de abrigos emergenciais para moradores deslocados. No sudeste francês, outros 300 bombeiros atuaram no departamento de Drôme para controlar outro foco.

Na Espanha, um incêndio próximo à Costa Brava, na Catalunha, devastou cerca de 2.200 hectares. Os bombeiros conseguiram estabilizar o fogo, mas permanecem preocupados com o flanco direito, devido à vegetação que não foi queimada e pode reacender as chamas. A maior parte da área afetada está dentro da zona natural protegida de Las Gavarras, e as autoridades suspeitam que a origem do incêndio tenha sido negligência. Uma pessoa já foi presa em conexão com o caso, conforme informou o presidente da Catalunha, Salvador Illa.

Portugal enfrenta maior incêndio do ano

Portugal registrou o maior incêndio florestal do ano, que consumiu pelo menos 13 mil hectares no norte do país em três dias. A Defesa Civil informou que aproximadamente 80% do perímetro do fogo está controlado, mas ainda há focos ativos. O fogo atingiu uma extensão de 35 quilômetros desde o início do incêndio. Autoridades portuguesas solicitaram ajuda à Espanha e à Itália, que enviaram reforços e aviões-tanque para apoiar o combate às chamas.

O incêndio deixou pelo menos nove feridos, incluindo dois civis em estado grave, e diversas regiões do sul da França, Espanha e Portugal mantêm alertas em função do calor extremo que pode persistir até o fim de semana.

Onda de calor histórica na Europa

Este ano, a Europa Ocidental já enfrentou duas ondas de calor, em maio e junho. A segunda, registrada no fim de junho, foi a mais intensa da história, com temperaturas consideradas “virtualmente impossíveis” sem a influência das mudanças climáticas, segundo especialistas da World Weather Attribution.

Durante a onda de calor, cerca de 410 milhões de europeus tiveram temperaturas superiores a 35°C. Recordes de calor foram registrados na Alemanha, Polônia, Eslováquia, República Tcheca e Hungria, enquanto Reino Unido, Suíça e França enfrentaram o junho mais quente de suas histórias.

Consequências para a saúde e alertas para o futuro

A França registrou mais de 2 mil mortes a mais do que o esperado em uma semana, enquanto Espanha e Bélgica contabilizaram mais de mil óbitos adicionais cada. O coronel Eric Belgioino, do Corpo de Bombeiros francês, destacou que as mudanças climáticas já estão afetando a região e alertou para a necessidade de precauções extras, especialmente nas áreas próximas aos Pirenéus.

Com a temporada de incêndios iniciando mais cedo e se mostrando mais intensa, as autoridades europeias permanecem em alerta para evitar novos desastres ambientais e proteger a população contra os efeitos do calor extremo.

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