Crise e Despedida: O Futuro de Ibaneis Rocha
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou a sua renúncia ao cargo neste sábado (28), um marco que se dá exatamente um ano após o polêmico processo de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). Essa transação gerou um escândalo que representa a maior crise que Ibaneis enfrentou desde a sua eleição em 2018.
O ato simbólico de saída foi realizado pela manhã durante uma cerimônia que celebrou o 55º aniversário da Ceilândia, uma das regiões administrativas de Brasília. Com a expectativa de se tornar senador, Ibaneis deixa o Governo do DF em um momento delicado, marcado pelo avanço das investigações sobre o BRB, que sofreu perdas bilionárias em decorrência da operação com o Master.
O banco, sob a principal acionista que é o Governo do Distrito Federal, atravessa dificuldades para apresentar resultados financeiros até o prazo estipulado de 31 de março de 2025, levantando interrogações sobre o seu futuro financeiro e patrimonial.
Em uma despedida calorosa, Ibaneis ofereceu um jantar aos candidatos do MDB em Brasília na última quarta-feira (25). Durante o evento, o governador expressou confiança na sua campanha para o Senado e também na candidatura de sua vice, Celina Leão (PP), ao governo do DF.
Apesar da pressão, Ibaneis afirmou estar tranquilo quanto à possibilidade de um acordo de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Master. O governador garantiu que todas as transações realizadas pelo seu escritório estão devidamente documentadas e dentro da legalidade.
Desgaste Político e Rumores de Desistência
O desgaste político de Ibaneis acirrou os rumores sobre uma possível desistência da candidatura ao Senado, em um cenário onde ele poderia optar por manter foro especial até o término do seu mandato, que se encerra no início do próximo ano. Frequentemente, o governador teve que reiterar sua decisão de deixar o cargo neste mês.
“Ele não tem mais apoio. Recentemente, fizemos críticas ao governo e não apareceu um deputado da base para defendê-lo. A situação está preocupante”, comentou o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF).
No mês passado, o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, rompeu com a base aliada de Ibaneis, complicando ainda mais a situação política e deixando o cenário eleitoral mais tumultuado para as candidaturas de Ibaneis e Celina.
Este partido já anunciou planos de lançar duas candidatas ao Senado na chapa de Celina: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), excluindo, assim, Ibaneis dos acordos em curso.
Aliados do MDB e do PL reconhecem que a situação atual é incerta. Um grupo próximo a Ibaneis acredita que Valdemar Costa Neto, presidente do PL, poderá intervir para persuadir Bia a desistir de sua candidatura ao Senado e concorrer à reeleição na Câmara.
Táticas de Campanha e Concorrência
Durante o jantar mencionado, os correligionários de Ibaneis destacaram que, ao iniciar a campanha, ele deve enfatizar os êxitos de sua gestão em contraste com os de suas oponentes. Um aliado, que pediu anonimato, afirmou que, na perspectiva do grupo, nem Michelle nem Bia apresentam um legado significativo a oferecer aos eleitores, diferentemente de Ibaneis.
Por outro lado, os adversários do governador acreditam que a crise relacionada ao BRB-Master pode prejudicar ainda mais sua imagem até as eleições de outubro. Com o senador Izalci Lucas (PL) se preparando para a corrida ao governo, ele expressou sua crença de que os apoios a Celina não serão sustentáveis.
“A candidatura de Ibaneis está em declínio a cada nova revelação. A crise financeira impactou profundamente a economia do Distrito Federal”, observou Izalci, que comentou que as chapas eleitorais estão ainda em aberto.
Nos bastidores, o deputado federal Rafael Prudente (MDB) surge como uma potencial alternativa para a chapa do MDB, seja para o Senado ou para o governo, caso Ibaneis e Celina decidam não se candidatar ou enfrentem impedimentos.
Em resposta a questionamentos, Prudente reafirmou seu compromisso com a reeleição como deputado federal. Em relação ao embate entre Michele, Bia e Ibaneis, ele acredita que a vice-governadora terá que ajustar a situação ao longo da campanha. Prudente ainda observou que a decisão de sair da chapa deve ser um movimento pessoal de Ibaneis.
O governador já enfrentou diversos pedidos de impeachment, todos arquivados pelo presidente da Câmara Legislativa do DF, Wellington Luiz (MDB), seu aliado. Três solicitações para a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foram apresentadas, mas nenhuma conseguiu reunir as assinaturas necessárias para avançar.
