Saída e Nova Trajetória
Nesta manhã, Ibaneis Rocha formalizou sua renúncia ao cargo de governador do Distrito Federal. A cerimônia ocorreu em meio às celebrações dos 55 anos de Ceilândia, um dos principais bairros da capital. Reeleito em 2022 com uma expressiva votação no primeiro turno, Ibaneis deixa o governo em um momento delicado, quando se articula para concorrer ao Senado. Seu afastamento ocorre sob a sombra de investigações que envolvem o Banco de Brasília (BRB), que enfrenta perdas bilionárias relacionadas à operação com o Master.
O BRB, banco estatal cuja principal participação é do governo local, se vê em dificuldades não apenas para cumprir os prazos de divulgação de resultados financeiros, como havia prometido para o dia 31 de março de 2025, mas também para resolver questões patrimoniais. A situação é preocupante e gera uma série de interrogações sobre o futuro da instituição e a capacidade de Ibaneis de lidar com esses desafios enquanto busca uma nova posição política.
Despedida e Expectativas
Em um clima de despedida, Ibaneis promoveu um jantar para candidatos do MDB na última quarta-feira (25). Durante o evento, ele manifestou otimismo em relação à sua própria candidatura ao Senado e à de sua vice, Celina Leão, do PP, ao governo. O governador reiterou sua confiança, mesmo diante das especulações sobre a possibilidade de um acordo de delação premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Master.
Ibaneis teve que enfrentar um desgaste político considerável, especialmente após a saída do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, da sua base de apoio. O PL anunciou a intenção de lançar duas candidatas ao Senado na chapa de Celina: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis. Essa movimentação deixa Ibaneis fora do novo arranjo político, complicando ainda mais sua situação à medida que se dirige para as eleições.
Rumores e Cenários Políticos
A relação de Ibaneis com seu partido e aliados está fragilizada, e este cenário gerou especulações sobre uma possível desistência de sua candidatura ao Senado. O deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) afirmou: “Ele não tem mais apoio. Ninguém apareceu para defendê-lo, e a situação é alarmante.” Os desafios enfrentados pelo governador têm se multiplicado, com novas informações surgindo a todo momento, como um burburinho que compromete ainda mais sua imagem.
Enquanto isso, nas discussões de bastidores, alguns aliados de Ibaneis expressam segurança de que Valdemar Costa Neto, presidente do PL, poderá intervir para tentar ajustar a situação política e forçar a desistência de Bia Kicis em favor da reeleição na Câmara dos Deputados. Esta dinâmica foi um dos temas tratados no jantar promovido por Ibaneis, onde se sugeriu que, ao longo da campanha, ele poderia explorar suas realizações no governo como um diferencial em relação às adversárias.
Desafios Futuros e Alternativas
Os opositores de Ibaneis seguem apostando que a crise em torno do BRB e da operação Master irá desgastá-lo até as eleições de outubro. O senador Izalci Lucas (PL) já se posiciona como pré-candidato ao governo, acreditando que o apoio a Celina não será mantido diante das dificuldades atuais. “A candidatura do Ibaneis está derretendo, com fatos novos surgindo a todo momento”, afirmou Izalci, subestimando as chances de Ibaneis e Celina.
Enquanto isso, o deputado federal Rafael Prudente (MDB) é apontado como uma possível alternativa para a candidatura do partido, seja ao Senado ou ao governo. Em entrevista, Prudente reafirmou seu compromisso com a reeleição na Câmara dos Deputados, mas reconheceu que a equação entre Michelle, Bia e Ibaneis precisará ser reavaliada nos próximos meses. Ele também ressaltou que Ibaneis é quem deve decidir se sairá da chapa, uma vez que a situação está em suas mãos.
Por fim, vale ressaltar que Ibaneis já enfrentou pedidos de impeachment, todos barrados pelo aliado Wellington Luiz, presidente da Câmara Legislativa do DF. Embora três requerimentos para a abertura de uma CPI tenham sido apresentados, nenhum deles conseguiu o número necessário de assinaturas para avançar, o que demonstra a complexidade da situação política local e os desafios que o governador precisará superar para reconstruir sua imagem.

