Questionamentos Sobre a Garantia Imobiliária
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), comprometeu as finanças do BRB na tentativa de ajudar o Banco Master, mas agora sua ação pode comprometer o abastecimento de água na região. Um dos imóveis oferecidos como garantia para um empréstimo que pode chegar a quase R$ 9 bilhões é uma área crucial para a qualidade e quantidade de água consumida na cidade.
O deputado distrital Gabriel Magno (PT) apresentou uma representação ao Procurador-Geral do Ministério Público, Georges Seigneur, além das promotorias de Meio Ambiente, Urbanização e Patrimônio. Segundo Magno, a Serrinha, uma das nove áreas selecionadas por Ibaneis, é uma Área de Proteção Ambiental que responde por cerca de 40% da água potável do Lago Paranoá. Esta é a mesma água que a Caesb, Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal, utiliza para abastecer seis regiões: Paranoá, Itapuã, Lago Norte, Plano Piloto, Noroeste e Sudoeste.
Votações e Consequências Políticas
No dia 18 de março, a Assembleia Geral do BRB irá deliberar sobre a proposta de Ibaneis, que já recebeu aprovação dos deputados distritais. Contudo, para que a medida avance, ainda faltará a anuência do Banco Central.
“O cerrado possui uma característica de esponja. Durante as chuvas, ele absorve a água, que desce. Os rios que se encontram no cerrado são subterrâneos, e esses mananciais alimentam o lençol freático, fazendo com que as nascentes se formem”, explicou Magno.
A aprovação da proposta não foi fácil para o governador, visto que três deputados de sua base votaram contra. Como retaliação, Ibaneis exonerou todos os funcionários que ocupavam cargos no governo do DF indicados por esses parlamentares. Atualmente, os deputados distritais estão discutindo a possibilidade de instaurar uma CPI do Master, proposta que a oposição já havia apresentado, mas que não recebeu a adesão dos governistas. Alguns parlamentares do PL sentem-se traídos e a CPI pode, de fato, ser instalada.
Protestos e Consequências Ambientais
No último domingo, dia 8 de março, manifestantes se reuniram na Serrinha, levantando bandeiras contra a possibilidade de a área ser convertida em um projeto imobiliário. Caso o terreno seja destinado à construção de condomínios, sua capacidade de coletar água da chuva e abastecer o Lago Paranoá com água potável será drasticamente afetada.
Rodrigo Oliveira Werneck, engenheiro ambiental e especialista em regulação de recursos hídricos, e que participou de uma pesquisa sobre as nascentes da Serrinha, revelou que em 2015 apenas duas nascentes haviam sido identificadas, mas que agora já são 106. “A seleção do terreno que Ibaneis propôs para a especulação imobiliária é preocupante. Eles delimitaram com precisão milimétrica para não afetar as nascentes, mas acabaram escolhendo áreas de recarga das mesmas. Essas áreas estão localizadas em duas bacias hidrográficas. Se pavimentarmos todas as áreas de recarga, não haverá mais nascentes. Essas áreas de recarga atuam como a caixa d’água das nascentes”, alertou Werneck.

