Avanços significativos no combate à hanseníase

O Brasil tem apresentado um progresso notável na eliminação da hanseníase entre crianças. Atualmente, 80,6% dos municípios brasileiros não registram novos casos da doença em menores de 15 anos, um aumento considerável em relação aos 73,1% registrados em 2019. Isso representa cerca de 4,4 mil cidades livres de novos casos, indicando um passo importante na interrupção da transmissão da doença. As iniciativas de vigilância, diagnóstico precoce e tratamento, lideradas pelo Ministério da Saúde em colaboração com estados e municípios, têm sido fundamentais nesse avanço. Desde o ano passado, mais de R$ 21,3 milhões foram investidos em pesquisas e projetos voltados para o enfrentamento da hanseníase no país.

A apresentação dos dados ocorreu durante a Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase, realizada no Rio de Janeiro. O evento reuniu gestores, especialistas e representantes da sociedade civil para debater estratégias que visam a erradicação da doença. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a importância de retomar a busca ativa por casos da doença, um trabalho que havia sido prejudicado pela pandemia de COVID-19. Ele destacou que o aumento na capacidade de diagnóstico tem permitido identificar casos mais rapidamente, o que é crucial para um tratamento eficaz.

– O papel do estigma no enfrentamento da hanseníase

Padilha também enfatizou que, para avançar na eliminação da hanseníase, é fundamental manter a visibilidade sobre a doença e combater o estigma que a rodeia. “O maior desafio que enfrentamos ainda é o preconceito, que afasta as pessoas dos serviços de saúde, dificultando o acesso ao diagnóstico e tratamento”, afirmou o ministro. A Estratégia Nacional para Enfrentamento da Hanseníase, que abrange o período de 2024 a 2030, tem como meta eliminar a transmissão em 4,8 mil municípios até 2030, o que representa 87,5% do território nacional.

De acordo com a estratégia, a ausência de casos novos em crianças por cinco anos consecutivos é um indicador-chave para certificar a interrupção da transmissão. Casos em menores de 15 anos indicam a existência de transmissão recente, uma vez que a infecção se dá por meio de contato prolongado com a bactéria.

– Conferência discute caminhos para a erradicação da doença

A conferência, que se estende até o dia 14 de março, é realizada em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro e a Fundação Nippon – Projeto Sasakawa, contando com a participação de cerca de 350 representantes, entre autoridades, pesquisadores e organizações internacionais. Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), destacou o reconhecimento internacional dos avanços brasileiros no combate a doenças transmissíveis e expressou otimismo quanto à eliminação da hanseníase. Em dezembro passado, o Brasil recebeu a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV, um resultado que inspira confiança na luta contra a hanseníase, segundo Barbosa.

– Resultados positivos nos diagnósticos e tratamentos

Nos últimos dois anos, a combinação de ações voltadas à vigilância, diagnóstico e tratamentos resultou em um aumento de 42% no número de diagnósticos de hanseníase. A identificação de novos casos por meio da investigação de contatos subiu de 9,6% para 13,3%. Para garantir diagnósticos eficazes, mais de 325 mil testes rápidos foram distribuídos, além da capacitação de 4,7 mil profissionais de saúde, incluindo médicos e enfermeiros. O aumento no atendimento também é evidente: os atendimentos relacionados à hanseníase passaram de 140 mil em 2022 para mais de 194 mil em 2024, um crescimento de 38%.

O número de pacientes em tratamento também cresceu, de 22,3 mil para 27,4 mil, refletindo um maior acesso aos cuidados. Em 2025, o Ministério da Saúde planeja distribuir 3,4 milhões de medicamentos, incluindo mais de 390 mil esquemas de poliquimioterapia – o tratamento padrão contra a hanseníase.

– Compreendendo a hanseníase

A hanseníase, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, afeta predominantemente a pele e os nervos periféricos, podendo resultar em manchas, perda de sensibilidade e fraqueza muscular. Apesar do estigma associado à doença, ela é tratável, especialmente quando diagnosticada precocemente. A transmissão se dá por contato próximo e prolongado com uma pessoa infectada que não esteja em tratamento. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento gratuitamente, e, uma vez iniciado, o paciente deixa de transmitir a doença.

O Ministério continua desenvolvendo ações de vigilância, diagnóstico e busca ativa de contatos, além de iniciativas para diminuir o estigma e aumentar o acesso ao tratamento, visando interromper a transmissão e avançar na eliminação da hanseníase como um problema de saúde pública no Brasil.

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