Pagamentos e Contratos: A Relação entre J&F e o GDF
O Grupo J&F, responsável pela PicPay, efetuou um pagamento de R$ 1 milhão ao escritório de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), somente 18 dias após a assinatura de um contrato com o Governo do DF. Este contrato autoriza a empresa a oferecer antecipação salarial aos servidores, com descontos diretos em folha.
De acordo com documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que foram enviados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e divulgados pelo portal G1, a quantia total destinada pela J&F ao escritório do governador alcança R$ 34 milhões. O pagamento de R$ 1 milhão ocorreu em 4 de outubro de 2024.
Notavelmente, esse repasse foi realizado apenas dezoito dias após a assinatura do termo de compromisso, que aconteceu em 16 de setembro de 2024, quando a Secretaria de Economia do DF formalizou a autorização para que a PicPay realizasse descontos compulsórios na folha de pagamento dos servidores que optassem por esse serviço de antecipação salarial, sem qualquer cobrança de juros.
Além disso, quatro dias antes da transferência de R$ 1 milhão, ou seja, em 30 de setembro de 2024, o Diário Oficial do DF publicou a oficialização do credenciamento da PicPay. Vale ressaltar que a empresa é a única autorizada pelo GDF a prestar esse serviço aos servidores, conforme afirmado pela Secretaria de Economia.
Em resposta a questionamentos feitos pela imprensa nesta terça-feira (24/3), Ibaneis Rocha negou qualquer tipo de irregularidade nas transações. O governador enfatizou que não é responsável pelo escritório de advocacia e que o contrato se dá com “uma das empresas dele (Grupo J&F)”. Segundo Ibaneis, “são mais de mil processos em trâmite no Tribunal Superior do Trabalho. Portanto, não existe nada de incorreto no contrato firmado pelo escritório. A prestação do serviço está documentada. Os processos são públicos, com procuração anexada aos autos”, assegurou.
Esse caso lança luz sobre a relação entre grandes grupos empresariais e a gestão pública, suscitando questionamentos sobre a transparência e a ética nas contratações e serviços prestados ao governo.
