Greve Docente e Ação Judicial
Na última quinta-feira (26), o corpo docente da Universidade do Distrito Federal Jorge Amauryl (UnDF) foi surpreendido por um processo judicial iniciado pela reitoria pro tempore. Essa ação requer uma multa diária de R$ 1 milhão, uma medida que os professores consideram uma estratégia de intimidação e uma tentativa de enfraquecer sua mobilização.
Uma representante do sindicato, que pediu para não ser identificada, descreveu a judicialização como um “verdadeiro golpe contra o direito de organização e mobilização”. Ela revelou que a notícia foi recebida com espanto, especialmente porque a reitoria havia demonstrado boa vontade em uma reunião realizada antes da deflagração oficial da greve.
Perseguição e Diálogo Comprometido
“O processo de perseguição está forte”, avaliou a representante, que ainda destacou que a peça judicial foi protocolada em sigilo, e os advogados do sindicato só tiveram acesso ao documento após um pedido formal. Essa situação levanta preocupações sobre a transparência e o tratamento dado aos docentes durante as negociações.
De acordo com o sindicato, a reitoria havia se comprometido em ata pública a manter um canal aberto de diálogo e a não realizar cortes de ponto dos professores, aceitando uma previsão de funcionamento mínimo de 30%. Contudo, após o início da greve, houve uma mudança de postura, com a gestão exigindo judicialmente a manutenção de 80% das atividades, sob a justificativa de que as negociações não estariam encerradas.
Crise de Confiança Agravada
A crise de confiança entre a reitoria e os docentes se intensificou na mesma quinta-feira (26), quando uma audiência de conciliação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) não resultou em acordo. Durante quase cinco horas de discussões, a reitoria e a Secretaria de Economia argumentaram a falta de orçamento para qualquer reajuste programado para 2026, citando restrições impostas pela Lei Orçamentária Anual.
A proposta governamental limitou-se à abertura de uma mesa de negociação de 60 dias para tratar da carreira dos docentes apenas para o próximo ano. Em contrapartida, os professores alegam que “falta vontade política” para incluir suas demandas no orçamento atual. Além disso, criticam o fato de a reitora ter condicionado decisões à autorização do Governo do Distrito Federal (GDF), ferindo a autonomia universitária prevista em lei.
Continuidades da Greve e Reuniões
Frente à ausência de propostas concretas, a assembleia docente, que se reuniu logo após a audiência, decidiu, quase por unanimidade, com 60 votos favoráveis e apenas duas abstenções, pela continuidade da greve. Agora, a categoria exige uma reunião imediata com o governo, a fim de apresentar propostas que viabilizem o início real de um diálogo produtivo.
Nota da Reitoria
Em resposta à situação, a Reitoria da UnDF divulgou uma nota oficial na qual afirma respeitar o direito à greve, mas ressalta a necessidade de garantir condições seguras para o funcionamento do campus Norte. A gestão comprometeu-se a manter um diálogo contínuo com o comando de greve para definir quais serviços serão considerados essenciais. Além disso, a reitoria defendeu a transferência de cursos para Ceilândia, alegando que essa decisão foi baseada em estudos técnicos pertinentes.

