Análise da Viabilidade de Financiamento para Estancar Rombo no BRB
O governo do Distrito Federal (DF) está em busca de instituições financeiras para avaliar a possibilidade de um financiamento que possa socorrer o Banco de Brasília (BRB). Apesar das negações por parte do governo e do banco, um aporte do controlador é visto como a única alternativa viável para mitigar o rombo que se aproxima, resultante dos ativos transferidos do Banco Master.
Conforme informações de interlocutores próximos ao assunto, o secretário de Economia, Daniel Izaias de Carvalho, tem representado o DF em conversas iniciais com diversos bancos. No entanto, a Secretaria de Economia afirma que não há qualquer compromisso em relação a um empréstimo para aportes junto ao BRB.
Atualmente, o secretário está em São Paulo, onde acompanha a agenda do BRB junto a algumas instituições financeiras. Até o momento, não há garantias de que um empréstimo será solicitado.
Desde a semana passada, o BRB tem explorado o mercado na Faria Lima, buscando a venda dos ativos herdados do Banco Master. Essa movimentação surge após a necessidade de substituição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas. O presidente do banco, Nelson de Souza, estima que o valor dos ativos possa alcançar até R$ 21,9 bilhões.
No entanto, o Banco Central já sinalizou que o BRB precisa de um provisionamento de R$ 5 bilhões em seu balanço para cobrir possíveis perdas relacionadas a esses ativos. Esse montante é superior ao próprio patrimônio líquido do banco, que, segundo o último resultado conhecido, apresentado no segundo trimestre de 2025, é de cerca de R$ 4 bilhões.
Consequentemente, esse provisionamento pode provocar uma situação onde os passivos superam os ativos, resultando em um desenquadramento das normas prudenciais, o que exigirá um plano de readequação. Além disso, o buraco contábil pode se agravar, visto que o BRB está vendendo ativos, como carteiras de crédito, para reforçar seu caixa, mas pode enfrentar prejuízos em meio a questionamentos do mercado após o escândalo do Banco Master.
A proposta que está sendo discutida preliminarmente pelo governo do DF com as instituições financeiras inclui a oferta de ativos públicos, como ações de estatais e terrenos, como garantias. Tanto o empréstimo quanto as garantias deverão ser aprovados pela Câmara Legislativa do DF, o que torna o processo ainda mais delicado, especialmente em um ano eleitoral.
O governo, sob a liderança de Ibaneis Rocha (MDB), enfrenta um cronograma apertado. O BRB precisa apresentar seu balanço e o plano de readequação até o final de março, a fim de resolver a situação do passivo a descoberto.
No plano apresentado ao Banco Central, o BRB destacou que a solução imediata mais viável é o que eles chamam de “solução de mercado”, que consiste na venda das carteiras de crédito do Banco Master. O plano ainda contempla uma linha de financiamento proveniente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), um empréstimo de um consórcio de bancos, além da criação de um fundo imobiliário que usaria ativos do governo local como garantia.
