Medidas Emergenciais para o Banco de Brasília

BRASÍLIA — A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou a remoção de uma área de preservação ambiental do conjunto de imóveis oferecidos para auxiliar o Banco de Brasília (BRB) na superação de um rombo financeiro resultante da aquisição do Banco Master. Em um contexto crítico, o BRB adiou pela segunda vez a divulgação de seu balanço referente a 2025, o que pode acarretar sérias consequências, como a liquidação pela intervenção do Banco Central.

Celina, que assumiu o cargo no dia 30 de outubro após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), que se lançou como candidato ao Senado, também se dirigiu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, solicitando auxílio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o salvamento do banco estatal. A governadora está pleiteando que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil adquiram ativos do BRB como parte da solução para a crise.

Imóvel de R$ 2,3 Bilhões Sob Análise

O governo do Distrito Federal apresentou nove propriedades para servir como garantias em um empréstimo e estabelecer um fundo mobiliário que ajude a reerguer o BRB. O imóvel mais valioso, conhecido como “Gleba A”, possui uma avaliação de R$ 2,3 bilhões e é parte de uma área ambiental chamada Serrinha do Paranoá.

A Justiça já havia bloqueado temporariamente o uso dessa área por questões de ordem ambiental, mas o governo conseguiu, provisoriamente, reverter essa decisão. Contudo, a nova determinação de Celina é preservar a área de importância ecológica dentro do projeto de salvamento. A Gleba não será excluída da lista de ativos do BRB, mas sua zona ambiental será separada.

A governadora está redigindo um decreto que visa reconhecer o caráter ambiental da região, estabelecer um parque ecológico e regulamentar o uso do espaço. O governo distrital ainda não se manifestou sobre como essa alteração pode afetar a avaliação do imóvel, que carece de uma atualização recente.

“A decisão garante a preservação ambiental da região, tida como sensível e de grande importância ecológica. A governadora também orientou o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e a Secretaria de Meio Ambiente a tomar providências para a criação do Parque da Serrinha, assegurando a destinação da área para conservação e uso sustentável”, informou um comunicado da assessoria de imprensa.

Mudanças na Secretaria de Economia e Busca por Socorro

Em meio a esse cenário de incertezas, Celina optou por substituir o secretário de Economia, Daniel de Carvalho, que liderava as ações técnicas para capitalizar o BRB. O novo titular da pasta será Valdivino José de Oliveira, um economista já conhecido por sua atuação em governos passados, incluindo os de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, que atualmente desempenha funções na Secretaria de Fazenda de Goiânia.

Além disso, o ministro da Fazenda, Durigan, contatou a governadora para discutir a possível adesão do Distrito Federal a uma medida de subvenção ao óleo diesel, cujo objetivo é mitigar os impactos da guerra no Irã. A proposta sugere um auxílio financeiro de R$ 1,20 por litro de diesel importado, com o governo federal cobrindo metade desse valor e os Estados arcando com a outra parte.

Durante a conversa, Celina não só manifestou interesse em aderir à medida, mas também aproveitou a oportunidade para reiterar o pedido de ajuda ao governo federal para o plano de socorro ao BRB. Ela deseja que a Caixa e o Banco do Brasil colaborem na aquisição de ativos do banco estadual.

Além disso, a governadora sugere que os bancos públicos poderiam compor um grupo de instituições para conceder um empréstimo ao Distrito Federal por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com o intuito de cobrir o déficit que o Banco Master deixou no BRB, estimado em mais de R$ 8 bilhões, embora ainda não haja um cálculo preciso.

Até o momento, o governo de Lula tem se mostrado relutante em conceder auxílio financeiro ao Distrito Federal. Aliados do presidente afirmam que a crise deve ser atribuída ao ex-governador Ibaneis Rocha, que implementou a estratégia de aquisição do Banco Master, e que a responsabilidade pela resolução da situação recai sobre o governo local.

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