GDF Implementa Cargos Comissionados para Apoiar Pessoas em Situação de Rua
O Governo do Distrito Federal (GDF) deu um passo significativo na política de inclusão produtiva ao criar 15 cargos comissionados destinados exclusivamente a pessoas que anteriormente viveram nas ruas. Essa iniciativa reflete um esforço para oferecer alternativas reais e sustentáveis para aqueles que buscam uma nova chance na vida.
O secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, coordenador do plano, enfatiza que a proposta é criar condições concretas para que as pessoas deixem a situação de rua de forma digna. “Não adianta retirar alguém de um ponto da cidade sem oferecer alternativas”, destaca. Ele explica que o plano foi desenvolvido a partir de um diagnóstico técnico que envolveu a colaboração de vários órgãos. “Realizamos um mapeamento do perfil dessa população e identificamos o que era necessário: moradia, espaço para pernoitar, qualificação profissional, educação para os filhos e até locais onde os animais de estimação possam ser acolhidos. Sem trabalho, é difícil romper com o ciclo da rua.”
A implementação de cargos comissionados não é a única estratégia do GDF. O governo determinou que as empresas contratadas reservem 2% das vagas de emprego para pessoas em situação de rua. Rocha ressalta os resultados positivos dessa estratégia: “Só nesse período, conseguimos empregar mais de 200 pessoas. Muitas delas choraram ao conquistar um lar e um emprego após meses ou até anos vivendo nas ruas.”
Reconstruindo Histórias de Vida
A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, sublinha que cada contratação representa uma trajetória única. “Quando falamos sobre a população em situação de rua, é comum ver as pessoas generalizando. No entanto, cada uma delas tem uma história distinta, muitas vezes marcada por rupturas familiares, problemas de saúde mental ou dependência química. É essencial que cada pessoa receba uma resposta específica”, afirma.
Ela acredita que a política de empregabilidade desempenha um papel crucial na reconstrução da autonomia. “A assistência social garante o mínimo para que a pessoa tenha dignidade e esperança. Contudo, a inclusão produtiva é o que realmente consolida esse processo. Não existe uma solução simples: oferecer uma vaga de emprego não é suficiente se a pessoa ainda não está preparada para assumir essa responsabilidade. É um trabalho integrado do GDF para que essa população consiga superar a extrema vulnerabilidade.”
Ana Paula ainda ressalta que os cargos comissionados são apenas uma parte do conjunto de ferramentas disponíveis para atender essa população. “Havia uma legislação antiga que nunca foi aplicada. O governador assinou um decreto garantindo 2% das vagas em empresas contratadas e também nomes nas secretarias. Essas nomeações são feitas por pessoas que participam da formulação de políticas voltadas a essa população, transformando suas próprias vidas no processo.”
Os resultados já são visíveis. “Quando se olha para essas pessoas com respeito, quando se conhece seus nomes e suas histórias, isso muda tudo. É assim que conseguimos criar condições reais para que elas entrem no mercado de trabalho e reconstruam o que perderam”, conclui a titular da Sedes-DF.
Histórias de Sucesso na Reintegração
Três trajetórias exemplares de trabalhadores atualmente empregados na Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF) refletem o impacto dessa política. Gilvandro de Araújo Soares, por exemplo, é assessor técnico na Sejus-DF e viveu três anos em um abrigo público após perder o emprego durante a pandemia. Ele participou das conferências que precederam o projeto e foi um dos primeiros a ser nomeado. “Com meu primeiro salário, consegui alugar um apartamento. Estou morando lá até hoje”, conta.
Josiris Lacerda, um profissional de tecnologia que passou o ano de 2024 nas ruas, também compartilhou sua transformação. “Fui atendido pelo Centro Pop, conheci o RenovaDF e minha vida mudou completamente. Hoje moro em Taguatinga Norte e tenho um futuro à minha frente.” Ele relembra a dificuldade de viver em invisibilidade: “As pessoas simplesmente passam, e você deixa de existir.” Após três meses de curso, ele conseguiu um emprego. “O RenovaDF realmente renova a vida da gente.”
Aroldo Pereira dos Santos enfrentou desafios por usar tornozeleira eletrônica, mas não desistiu. Ele se inscreveu no RenovaDF e voltou a estudar. “Antes eu não tinha perspectiva. Agora tenho planos, estudo e trabalho”, afirma, resumindo sua trajetória: “Passei fome, frio e dor. Agora posso escolher o que vou comer e levar meus filhos e netos para passear.”
Um Futuro em Construção
As nomeações realizadas pelo GDF se integraram a um conjunto mais amplo de políticas, incluindo o RenovaDF, restaurantes comunitários que oferecem refeições gratuitas para pessoas em situação de rua, o Hotel Social, passagens interestaduais para reintegração familiar e ampliação do atendimento especializado. Ana Paula reafirma que a continuidade dessas ações é fundamental: “A população em situação de rua está crescendo, mas a cidade de Brasília também oferece muitas oportunidades. O GDF deve seguir expandindo essa rede. Cada pessoa tem uma história e precisa de respostas diferentes. É isso que estamos buscando construir.”

