Desafios na Venda de Ativos e Ações do GDF

Apesar das tentativas de atrair investidores na Faria Lima há cerca de um mês, o Banco de Brasília (BRB) enfrenta dificuldades significativas na venda de seus ativos para aumentar o caixa. Informações obtidas por fontes da CNN Brasil apontam que a resistência dos investidores está relacionada tanto à aquisição de ativos oriundos do Banco Master quanto a bens não diretamente ligados à instituição financeira, sob a gestão de Daniel Vorcaro.

A venda desses ativos se torna ainda mais crítica após a determinação do Banco Central, que exige que o BRB realize um provisionamento de R$ 2,6 bilhões para lidar com perdas relacionadas à compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. Essa operação deve ser refletida no balanço financeiro do banco, que será divulgado em março e se refere ao fechamento do ano fiscal em 31 de dezembro.

Com a dificuldade de implementar seu plano inicial, o Governo do Distrito Federal (GDF) decidiu agir com um plano alternativo. Na última sexta-feira (20), sob a liderança do governador Ibaneis Rocha, foi enviado um projeto de lei à Câmara Legislativa do DF, que visa autorizar um aporte de capital no BRB. Essa iniciativa é considerada vital pelo GDF para proteger o patrimônio do banco e fortalecer sua estrutura de capital, assegurando a solidez e a capacidade de investimento da instituição.

Medidas em Andamento e Expectativas Futuras

A nova gestão do BRB já tomou medidas para melhorar sua liquidez, incluindo a venda de cerca de R$ 5 bilhões em carteiras de crédito. Além disso, foram realizadas negociações de ativos garantidos pelo Tesouro com grandes instituições financeiras, e ações de recuperação de recursos estão em andamento. O presidente do BRB, Nelson de Souza, tem se reunido frequentemente com investidores em Faria Lima, buscando estabelecer um diálogo direto sobre as necessidades de capitalização da instituição.

O GDF esclareceu em comunicado que a capitalização proposta é essencial para alinhar o BRB às melhores práticas de mercado e prepará-lo para um novo ciclo de crescimento sustentável. A nota enfatiza que este movimento visa não apenas a proteção do patrimônio do banco, mas também a geração de empregos e renda para a população de Brasília. A aprovação do projeto de lei e a implementação das ações planejadas são vistas como uma estratégia sólida para garantir a robustez da instituição no longo prazo.

O plano de capital do BRB apresenta ao menos cinco alternativas para cobrir as perdas decorrentes das operações com o Banco Master. Essas opções incluem o repasse direto do Tesouro do DF e dos acionistas minoritários, a formação de um fundo com imóveis pertencentes ao governo do DF, uma linha de financiamento do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o repasse de ações de empresas estatais, e um empréstimo oriundo de um consórcio de bancos.

Investigações realizadas pela Polícia Federal indicam que a fraude relacionada às carteiras de crédito compradas pelo BRB ao Banco Master é avaliada em R$ 12 bilhões. Deste montante, o BRB conseguiu liquidar ou substituir cerca de R$ 10 bilhões em ativos. Em resposta, o BRB informou que as ações propostas em conjunto com o GDF estão em conformidade com as normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central.

A instituição ainda destacou que futuras medidas precisam respeitar a legislação pertinente às instituições financeiras, além das regras de alienação de bens públicos, fundamentando-se em princípios como legalidade, eficiência, economicidade, transparência e governança.

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