Desafio financeiro ameaça a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Faltando pouco mais de um mês para o início do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, agendado para acontecer de 11 a 19 de setembro, a realização do evento ainda depende da liberação de recursos pelo Governo do Distrito Federal. O atraso no repasse financeiro vem comprometendo o cronograma de produção, deixando profissionais sem pagamento e colocando em risco a edição deste ano.
Impactos do atraso na liberação dos recursos
Segundo a organização do festival, a primeira parcela de R$ 1,5 milhão, que deveria ter sido liberada em maio, ainda não foi depositada. Esse valor representa metade do orçamento anual de R$ 3 milhões destinado ao evento, que está previsto no planejamento trienal firmado entre a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF) e o Instituto Alvorada Brasil para o período de 2024 a 2026.
Atualmente, cerca de 50 profissionais envolvidos na produção do festival não receberam pelos serviços prestados, enquanto aproximadamente 80 produções nacionais aguardam confirmação para integrar a programação oficial. Em entrevista à CBN Brasília, o diretor-geral de produção, Henrique Rocha, alertou que, caso a situação não seja regularizada nos próximos dias, o cancelamento da edição de 2026 poderá ser discutido.
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Consequências para o audiovisual nacional
“Não podemos manter esses filmes presos. É uma responsabilidade muito grande. Estamos falando de 80 títulos, quase todos lançamentos. Então, não podemos correr o risco de prejudicar tantas produtoras do Brasil inteiro”, destacou Rocha. Um eventual cancelamento representaria a primeira interrupção na história do Festival de Brasília, criado em 1965, que jamais deixou de ocorrer, mesmo durante a ditadura militar e a pandemia de covid-19, consolidando-se como um dos eventos mais tradicionais do audiovisual brasileiro.
Posicionamento da Secretaria de Cultura e situação do Cine Brasília
Em nota, a Secec-DF afirmou que acompanha a situação e mantém diálogo com a organização do festival e órgãos do GDF para avaliar as condições orçamentárias e financeiras necessárias à realização do evento. A pasta ressaltou que os procedimentos para viabilizar os recursos seguem em análise, sem informar um prazo para a liberação.
O atraso nos repasses também afetou a gestão do Cine Brasília, principal sede do festival. A quinta parcela do contrato entre o GDF e a Organização da Sociedade Civil (OSC) Box Cultural, prevista para maio, ainda não foi paga. Contudo, a Secretaria descartou o fechamento do cinema e autorizou, temporariamente, o uso dos recursos da bilheteria para manter o funcionamento até que a situação financeira se normalize.
