Análise da Federalização do BRB
O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público, fez uma solicitação formal ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que a Corte acompanhe de perto o possível processo de federalização do Banco de Brasília (BRB). No pedido, Furtado argumenta que é fundamental que o TCU avalie a viabilidade técnica, financeira e jurídica dessa operação, bem como os impactos fiscais e orçamentários que ela pode acarretar, além dos riscos potenciais envolvidos.
Segundo o subprocurador, a federalização poderia ser vista como uma “solução paliativa” que não aborda problemas estruturais que o banco enfrenta, como falhas de governança, fragilidades nos controles internos e uma exposição excessiva a riscos elevados. A discussão sobre essa medida foi inicialmente revelada pela Folha de S.Paulo.
O Banco de Brasília, que é uma instituição financeira pública sob a égide do Governo do Distrito Federal, foi criado para desempenhar funções de um banco regional. Nos últimos anos, o BRB ampliou suas operações, expandindo sua presença além do Distrito Federal e adotando uma agressiva estratégia de crescimento por meio de aquisições e parcerias com outras instituições financeiras.
Estratégia de Expansão e Riscos Associados
No âmbito dessa estratégia de diversificação, o BRB se tornou um acionista relevante do Banco Master ao adquirir uma participação significativa na instituição privada. Essa operação foi apresentada como parte da iniciativa do banco estatal de se diversificar e expandir suas atividades. Contudo, essa entrada no capital do Banco Master também expôs o BRB a riscos indiretos, vinculando seus resultados aos da instituição privada.
Investigação da Polícia Federal
Nos últimos dias, as conversas entre o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, e a Polícia Federal (PF) têm se intensificado. Costa demonstrou interesse em prestar um novo depoimento sobre as investigações que envolvem o caso Master, que está sob análise das autoridades.
Esse caso é marcado por suspeitas de fraudes na compra de carteiras de crédito consignado sem lastro, que estão avaliadas em cerca de R$ 12,2 bilhões, pelo BRB. Fontes ligadas às investigações relataram ao jornal Folha de S.Paulo que, embora ainda não exista um acordo formal de colaboração, as interações entre Costa e as autoridades responsáveis estão se intensificando.
Os investigadores acreditam que Costa pode ter informações valiosas a oferecer, inclusive a possibilidade de uma delação premiada, que concede benefícios ao investigado em troca de dados que possam ser cruciais para as apurações.
A Polícia Federal está investigando se Costa teve algum envolvimento na alegada falsificação de documentos após a aquisição das carteiras, o que poderia justificar a ausência de irregularidades. Além disso, há investigações sobre a participação de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, e sócios na compra das ações do BRB por meio de fundos geridos pela gestora Reag.
Em declaração à Folha, Costa reafirmou que está cooperando com todas as instituições envolvidas nas investigações.

