Cenário Atual e Expectativas para o Futuro
O agronegócio brasileiro teve mais um ano de conquistas, atingindo um faturamento recorde com as exportações em 2025. Mesmo com as tarifas impostas pelos Estados Unidos, que representam o terceiro maior destino de produtos do setor, o Brasil conseguiu registrar um faturamento impressionante de US$ 169 bilhões, um crescimento de 3% em relação ao ano anterior. Os dados, coletados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP, foram fundamentados em informações fornecidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pela Secretaria de Comércio Exterior (Siscomex). Essa performance foi impulsionada por um aumento de 3,4% no volume de produtos escoados, embora o preço médio anual tenha apresentando uma leve queda de 0,4%.
Os especialistas do Cepea ressaltam que o crescimento nas exportações foi notável nas carnes bovina e suína, celulose, soja em grão, algodão e milho, todos com desempenhos superiores ao ano anterior. No entanto, preços de alguns produtos, como carne bovina e suína, etanol, café e óleo de soja, mostraram aumentos significativos. Os principais mercados para os produtos brasileiros continuam sendo a China — com destaque para o complexo soja — a União Europeia, onde se destacam produtos florestais, café, frutas e suco de laranja, além dos Estados Unidos, que importam principalmente madeira, suco de laranja, etanol, café, frutas, celulose e carne bovina.
Do Recorde à Incerteza: Desafios à Vista
À medida que 2026 se aproxima, o cenário se torna mais nebuloso. Produtores do Hemisfério Sul estão finalizando a colheita da safra de verão, enquanto os do Hemisfério Norte começam a planejar suas atividades para o próximo ciclo produtivo. A atenção está voltada, em especial, para as condições climáticas — que têm se mostrado rigorosas em regiões significativas para a produção de grãos — e os desdobramentos do atual conflito no Oriente Médio.
Este conflito já gerou um aumento considerável nos preços do petróleo e complicações logísticas, levando à preocupação com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica que movimenta cerca de 30% dos fertilizantes do mundo, predominantemente de base nitrogenada. O Cepea reporta que muitas empresas brasileiras do setor de fertilizantes estão atualmente fora do mercado, sem divulgar preços, aguardando os próximos desdobramentos.
O Irã, um grande importador do milho brasileiro, destaca-se em 2025 como o principal destino, recebendo 9 milhões de toneladas, quase o dobro das 4,33 milhões de toneladas do ano anterior, conforme dados da Secex. Contudo, as exportações brasileiras de milho devem se intensificar apenas no segundo semestre, e, por isso, especialistas estão monitorando as possíveis repercussões para os meses seguintes.
Perspectivas para o Setor Avícola
No setor avícola, a região do Oriente Médio se firmou como um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em 2025, essa região foi responsável por quase 25% de todas as exportações de carne de frango do país. Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita figuram como os maiores mercados, respectivamente, ocupando a primeira e a terceira posição entre os destinos das exportações brasileiras de carne de frango. Somente para esses dois países, foram enviadas mais de 877 mil toneladas da proteína, o que representa mais de 12,6% do volume total escoado.
À medida que o mercado se adapta às novas condições, as vozes da indústria alertam sobre a necessidade de preparação para possíveis oscilações e desafios que podem surgir ao longo de 2026. A continuidade do sucesso do agronegócio brasileiro dependerá da capacidade de enfrentar essas incertezas, mantendo sua posição de destaque no mercado global.

