Brasil Expande Mercado de Proteínas na Etiópia

O governo brasileiro concluiu negociações históricas com a Etiópia, abrindo um novo leque de oportunidades para as exportações de produtos do setor de proteína animal. Essa iniciativa permitirá ao Brasil comercializar carne bovina, suína e de aves, além de diversos produtos cárneos e miúdos, ampliando a sua presença em um mercado estratégico no Chifre da África.

Os novos acordos contemplam também a exportação de alimentos para animais de companhia, produtos lácteos, pescado de cultivo e extrativo, bem como aditivos que melhoram o sabor e a textura das rações. Além disso, inclui alevinos, ovos férteis, bovinos vivos para abate e reprodução, sêmen e embriões de caprinos e ovinos, e pintos de um dia, consolidando uma diversidade que promete beneficiar os dois países.

Essa abertura de mercado vem em um momento crucial para o agronegócio brasileiro, que já contabiliza 574 aberturas de mercado desde o início de 2023. O sucesso das negociações é resultado de um esforço conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), que têm se empenhado em fortalecer as relações agropecuárias com a Etiópia. Cabe destacar que a adidância agrícola foi instituída em 2025, reforçando ainda mais essa aliança internacional.

Colheita de Café Pressiona Preços no Mercado Interno

Com a colheita do café se aproximando no Brasil, os efeitos já começam a ser sentidos nos preços. Levantamentos realizados pelo Cepea mostram que as cotações do café arábica têm apresentado quedas constantes desde o final de março, mesmo com a intensificação das atividades de colheita prevista apenas para meados de maio. Essa situação é ainda mais evidente no caso do café robusta, cuja colheita inicial ocorre entre abril e maio.

A liquidez no mercado interno permanece limitada, com os produtores negociando volumes menores, principalmente para atender compromissos imediatos e se preparar financeiramente para a nova safra. Essa dinâmica aponta para um mercado que, apesar das expectativas, demonstra sinais de cautela entre os envolvidos.

Mercado Internacional Reage com Cautela

Após uma queda significativa nas bolsas internacionais, o mercado de café viu uma leve recuperação nesta quarta-feira (8). Na Bolsa de Nova York, os contratos de arábica registraram ganhos superiores a 300 pontos, enquanto Londres também apresentou uma valorização para o robusta, indicando um movimento de recomposição após a forte liquidação do dia anterior. Contudo, o clima continua cauteloso, com investidores atentos ao avanço da safra brasileira e às perspectivas de aumento da oferta global.

A expectativa de uma safra recorde no Brasil, com projeções que podem chegar a 75 milhões de sacas para o ciclo 2026/27, é um dos fatores que mais pressiona os preços. Esse crescimento superior a 20% em relação ao ano anterior é impulsionado por melhores condições climáticas e aumentos na produtividade, especialmente no café robusta. Para o arábica, as estimativas variam entre 46,5 e 49 milhões de sacas, contribuindo para um possível superávit no mercado global.

Queda nas Cotações Reflete Dinâmicas de Mercado

Na última sessão, as cotações do café arábica na Bolsa de Nova York caíram para os níveis mais baixos em cerca de um mês, com contratos de maio de 2026 recuando 4%. Essa queda é atribuída ao aumento da oferta global e à expectativa de safra elevada no Brasil, além de fatores externos, como a valorização do dólar em relação ao real e a crescente aversão ao risco causada por tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio.

O aumento na oferta global é também reforçado pelos resultados de outros países produtores. Em Honduras, por exemplo, as exportações de café cresceram cerca de 29,6% em março em relação ao ano anterior, totalizando aproximadamente 1,4 milhão de sacas. Este movimento, aliado ao desempenho brasileiro, contribui para a pressão sobre os preços internacionais.

Expectativa de Volatilidade no Curto Prazo

A combinação de uma oferta elevada e a recomposição dos estoques globais, que atualmente estão em níveis historicamente baixos, assegura que a volatilidade permanecerá como característica marcante do mercado de café. Analistas preveem que os preços continuarão a oscilar no curto prazo, entre movimentos de recuperação e a pressão estrutural gerada pelo avanço da colheita e pelo aumento da oferta. Dentro deste cenário, o mercado de café segue atento ao andamento da safra brasileira, às condições climáticas e ao comportamento de investidores institucionais, que influenciarão diretamente as cotações nas próximas semanas.

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