Movimentos políticos dos ex-governadores do DF
Nas últimas semanas, seis dos sete ex-governadores mais recentes do Distrito Federal têm se articulado para um possível retorno ao cenário político nas eleições de 2026. O G1 entrevistou esses políticos e apurou que suas intenções variam desde a busca pela reeleição ao governo até candidaturas a cargos na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa do DF.
Esta movimentação envolve partidos de diferentes espectros políticos, abrangendo desde a direita até a esquerda. Dos sete ex-governadores que estiveram à frente do DF desde a promulgação da Constituição de 1988 e que ainda estão vivos, apenas Rogério Rosso (PSD) não tem planos de se candidatar.
Rosso, que foi eleito indiretamente em meio à operação Caixa de Pandora, declarou ao G1 que seguirá atuando em sua legenda, mas não pretende concorrer a nenhum cargo nas próximas eleições.
José Roberto Arruda e suas articulações
O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) se posiciona como pré-candidato ao governo do DF desde 2025. Filando-se ao PSD no final do ano passado, ele está em busca de alianças dentro do campo político do centro e centro-direita. Porém, sua trajetória pode ser dificultada pela atual governadora, Celina Leão (PP), que também planeja a reeleição.
A situação jurídica de Arruda continua incerta, uma vez que ele foi condenado por improbidade administrativa no caso da Caixa de Pandora. Essa condenação foi confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), resultando em sua inelegibilidade por um período de oito anos. Dependendo da contagem de pena, ele pode ter os direitos políticos restaurados ainda em 2023 ou somente em 2032. Essa questão deve ser resolvida quando a chapa for registrada oficialmente na Justiça Eleitoral nos próximos meses.
Ibaneis Rocha busca o Senado
Após dois mandatos consecutivos, Ibaneis Rocha (MDB) deixou o cargo de governador em março para cumprir o prazo legal de desincompatibilização. Ele deve concorrer a uma das duas vagas do Distrito Federal no Senado em 2026, enquanto busca preservar seu capital político, mesmo diante das investigações que envolvem o Banco de Brasília (BRB).
Cristovam Buarque retoma a política
Cristovam Buarque (PSB), que governou o DF de 1995 a 1998 e acumulou experiências como ministro da Educação, candidato à Presidência e senador, voltou à cena política aos 82 anos. Ele agora se apresenta como pré-candidato a deputado federal, tendo mudado de Cidadania para o PSB e defendendo uma unificação do campo progressista no DF. Em suas redes sociais, Cristovam declara: “É nosso dever lutar para barrar retrocessos e reinventar a nossa democracia, para assim entregar uma sociedade melhor para todos os brasileiros”.
Rodrigo Rollemberg busca reeleição
Rodrigo Rollemberg (PSB), que ocupou o governo entre 2015 e 2018, atualmente exerce uma cadeira na Câmara dos Deputados após a recontagem dos votos das eleições de 2022, sendo um dos beneficiados pelas novas regras das “sobras eleitorais”. Ele já anunciou sua intenção de se candidatar à reeleição em 2026.
Maria de Lourdes Abadia retorna à política
Maria de Lourdes Abadia (PSD), a primeira mulher a governar o DF, voltou à linha de frente política em março, mudando-se do PSDB para o PSD. Sua gestão foi breve, de março a dezembro de 2006, quando era vice do governador Joaquim Roriz. Abadia pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, integrando o mesmo grupo político de Arruda, com quem teve adversidades nas eleições anteriores.
Agnelo Queiroz analisa candidatura
Agnelo Queiroz (PT), que governou entre 2011 e 2014, está considerando a possibilidade de disputar uma vaga na Câmara Legislativa do DF. Ele recuperou seus direitos políticos após decisões judiciais que anularam suas condenações relacionadas a improbidade administrativa, sendo alvo de investigações sobre corrupção em contratos da Secretaria de Saúde e também tendo enfrentado prisão preventiva por questões ligadas às obras do Estádio Mané Garrincha.
