Medidas Estratégicas para Enfrentar Viroses Infantis
No Distrito Federal, o cenário de infecções respiratórias em crianças ganha atenção especial, especialmente entre os meses de março e julho. Doenças como o vírus sincicial respiratório (VSR), influenza e o Sars-CoV-2, causador da covid-19, têm contribuído para um aumento significativo nos casos. Esse fenômeno sazonal é influenciado pelas mudanças climáticas durante a transição do verão para o outono e o inverno. Com o objetivo de enfrentar essa situação, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) elaborou um plano abrangente que inclui ações de prevenção, monitoramento e tratamento.
A médica Juliana Macêdo, coordenadora de Atenção Especializada à Saúde da SES-DF, destaca a importância do planejamento prévio e da integração da rede de saúde para enfrentar os desafios. “O objetivo é reduzir casos graves, evitar desassistência e garantir maior segurança às crianças e suas famílias,” afirma.
Ações de Prevenção em Foco
O plano delineado pela SES-DF é dividido em várias fases, começando pela preparação e mobilização. As orientações gerais à população incluem a recomendação de evitar aglomerações durante períodos de doenças respiratórias e a vacinação contra influenza e covid-19, práticas já rotineiras da secretaria.
Tereza Pereira, gerente da Rede de Frio Central, ressalta que a imunização representa a estratégia mais eficaz para diminuir a gravidade dos casos, internações e óbitos. “Ao longo de 2025 e nas primeiras semanas de 2026, mais de 880 mil doses da vacina contra a influenza foram aplicadas. Contudo, apenas 53% das crianças de 6 meses a 6 anos se vacinaram, um índice abaixo da meta de 90%,” comenta.
Ela também destaca que a vacina protege contra as cepas de Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B, e é constantemente atualizada para garantir eficácia. “A imunidade proporcionada pela vacina pode durar entre seis meses a um ano,” completa.
Recentemente, iniciativas como a aplicação de nirsevimabe e palivizumabe para proteger bebês prematuros contra o VSR foram introduzidas. Esses medicamentos são um avanço significativo na prevenção de infecções graves, de acordo com Juliana Macêdo.
Monitoramento e Detecção de Vírus
Para monitorar a circulação viral, o DF disponibiliza atualmente dez unidades-sentinela. Nesses locais, amostras de pacientes com sintomas gripais são coletadas para identificar quais vírus estão em circulação. As análises são enviadas ao Laboratório Central de Saúde Pública do DF (Lacen-DF), ajudando na definição de estratégias de atendimento e na detecção de novas cepas.
Renata Brandão, gerente de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis, comenta que essas unidades atuam como um “termômetro” para a saúde pública. “Com a detecção precoce de um vírus, conseguimos antecipar as medidas necessárias para proteger a população,” afirma.
Além disso, a SES-DF mantém um monitoramento constante das estatísticas de casos, considerando dados de outras regiões do Brasil e do mundo. Entre 2023 e 2025, o número de casos confirmados de síndrome respiratória aguda grave provocada pelo Sars-CoV-2 caiu de 965 para 472, enquanto os casos de influenza aumentaram de 373 para 1.421. A eficiência dos exames laboratoriais também melhorou significativamente, reduzindo os casos categorizados como de vírus não especificado de 61% em 2023 para 27% em 2025.
Atendimento Eficiente e Acessível
O plano de resposta à sazonalidade das infecções respiratórias também se concentra no atendimento em saúde. O DF conta com 182 unidades básicas de saúde (UBSs), que são fundamentais para oferecer cuidados a pacientes com sintomas leves, evitando a superlotação de hospitais e unidades de pronto atendimento (UPAs). Desde 2019, 13 dessas unidades foram entregues, e mais duas estão em fase de conclusão, ampliando o acesso aos serviços de saúde.
Assim, o Distrito Federal busca não apenas enfrentar as infecções respiratórias que afetam as crianças, mas também garantir um atendimento seguro e de qualidade, fundamental para a saúde da população infantil.

