Uma obra que resgata a luta feminina
O espetáculo Anáguas, da Cia Em Comma de Brasília, está de volta para sua 4ª edição, trazendo à tona questões essenciais sobre a condição feminina e as complexas relações familiares. Ambientado em uma casa em ruínas, a peça retrata a convivência de três mulheres de diferentes gerações, que precisam confrontar os silêncios herdados e os conflitos que simbolizam o declínio do patriarcado no Brasil do século 20. Com dramaturgia de Lourdes Ramalho (1920-2019), a obra permanece relevante ao abordar os desafios enfrentados pelas mulheres em um contexto societal que, muitas vezes, tenta subjugá-las. A produção, que conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, será apresentada em diversas escolas, associações para idosos e espaços culturais durante os meses de abril e maio de 2026.
As apresentações começam no dia 29 de abril, com sessões às 8h30 e 14h30, no CECON Mozart Parada (CLN 1 – Taguatinga Norte). No dia 30 de abril, o espetáculo será exibido na Associação dos Idosos de Taguatinga, também em dois horários. As sessões continuam em 4 de maio no CEMEIT com apresentações noturnas e encerram no dia 6 de maio no Centrão, com quatro oportunidades de ver a peça. É importante ressaltar que todas as apresentações terão tradução em libras e audiodescrição, garantindo acessibilidade ao público. O espetáculo possui licenciamento da SBAT e a entrada é gratuita, mas não é recomendado para menores de 14 anos. Para mais informações, o público pode acompanhar as redes sociais @anaguas_ciaemcommadf e @ciaemcomma.
Um retrato da força feminina
A trama de Anáguas, conforme descrita por seu diretor e fundador, Ernandes Silva, revela os sentimentos ocultos e as dinâmicas familiares entre mulheres de uma família tradicional. A história se concentra em três personagens fortes, cada uma representando uma perspectiva única sobre o papel da mulher na sociedade. A mãe, Maria da Graça (interpretada por Fátima Braga), simboliza a decadência do patriarcado, enquanto a filha mais velha, Maria Exaurina (Genice Barego), é vista como o pilar da família, lutando para preservar as tradições. Por outro lado, Maria Cândida (Clara Camarano), a filha mais nova, busca romper com os paradigmas impostos e aspirar a novas possibilidades.
“É uma honra apresentar mais uma edição de Anáguas, que se renova a cada apresentação. A peça conecta passado e presente, revelando as fissuras nas relações familiares e a lenta, mas inevitável, queda de uma ordem opressora”, afirma Ernandes. O diretor enfatiza que a indumentária que dá nome ao espetáculo, as anáguas, não apenas simboliza o que está por trás das saias, mas também mexe com aspectos que muitas vezes permanecem ocultos. “Estamos trazendo à tona questões que precisam ser discutidas. O espetáculo é uma homenagem à autora Lourdes Ramalho e a todas as mulheres que buscam voz em sua resistência. É um convite à liberdade e à transformação”, conclui.
Uma trajetória de sucesso
O espetáculo Anáguas estreou em 2023 e rapidamente conquistou o público, realizando sua segunda edição em 2024, quando foi apresentado em escolas, teatros e espaços culturais do Distrito Federal. Na mesma ano, a peça foi selecionada para representar a região no VIII FESTECO – Festival Nacional de Teatro de Mariana (MG), onde obteve reconhecimento, incluindo os prêmios de “Melhor Espetáculo”, “Melhor Direção” e um triplo prêmio de “Melhor Atriz” na categoria “Drama”. Agora, com uma nova cenografia e elementos inovadores, Anáguas retorna aos palcos, prometendo emocionar e provocar reflexões profundas.
