Ascensão Política em Tempos de Crise
A recente derrocada do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), trouxe à tona uma nova dinâmica política na região. Michelle Bolsonaro (PL), ex-primeira-dama, emergiu como a principal articuladora da direita, assumindo um papel central em meio ao escândalo envolvendo o Banco Master. Antes fortemente apoiado por Ibaneis, o grupo político agora se reconfigura, tendo Michelle como uma figura-chave nas próximas disputas eleitorais. A sua influência é visível, especialmente na formação da chapa puro-sangue do PL, que contará com sua candidatura ao Senado ao lado da deputada federal Bia Kicis.
Michelle se tornou a principal apoiadora da candidatura de Celina Leão (PP), vice de Ibaneis, ao governo distrital. Contudo, essa insistência em promover Celina, com quem mantém uma relação de amizade e publicamente expressa lealdade, já começa a gerar desconforto entre alguns membros do PL. O desafio se concentra na dificuldade de desvincular Celina de Ibaneis, especialmente considerando o desgaste que a situação do Banco Master já impôs à sua imagem.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, deixou claro que não se oporá a Michelle, mas a maioria dos membros do partido gostaria que o vice da chapa fosse escolhido entre outros nomes, preferencialmente não associados diretamente a Ibaneis. A indefinição sobre a elegibilidade de José Roberto Arruda (PSD), um ex-governador que almeja o Buriti, também complica a situação. Valdemar permitiu que os deputados do PL suportem outros candidatos, longe de Celina.
Mesmo antes de um rompimento oficial com Ibaneis Rocha, Michelle já observava com atenção — e até um certo divertimento — a luta política do governador para manter sua base. Após a votação de um pacote de socorro ao Banco de Brasília (BRB), Ibaneis demitiu indicados de aliados que votaram contra a proposta, a qual acabou sendo aprovada.
O Escândalo do Banco Master
O escândalo do Banco Master se tornou o epicentro da crise política enfrentada por Ibaneis. De acordo com informações do Estadão, o governador assinou, por meio de seu escritório de advocacia, a venda de R$ 10 milhões em honorários a um fundo vinculado à Reag Investimentos, que está sob investigação no caso Master. Esse contrato foi firmado em setembro de 2023, período em que Ibaneis já exercia o cargo de governador. Em uma contradição, dias antes, ele afirmara que não estava mais vinculado ao escritório desde 2018.
Até o momento, Ibaneis tem evitado dar explicações sobre sua participação nas transações relacionadas ao caso. Recentemente, ele recusou um convite para prestar esclarecimentos à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, justificando a falta de conhecimento técnico sobre o sistema financeiro e alegando que não participou das operações entre o BRB e o Banco Master. Curiosamente, antes da liquidação do Master, o governador havia defendido publicamente o negócio.
O banqueiro Vorcaro relatou à Polícia Federal (PF) que teve algumas conversas com Ibaneis sobre a venda do Banco Master ao BRB e ainda destacou que o governador já esteve em sua residência. Ibaneis, por sua vez, nega ter discutido o tema com Vorcaro. Segundo investigações da PF e do Banco Central, o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em ativos problemáticos do Banco Master, o que intensificou ainda mais a pressão sobre o governador e sua administração.

