A Artista e Seu Olhar Sobre a Educação em Tempos de Crise
Um registro profundo da educação pública brasileira durante a pandemia da Covid-19 é o que promete o livro de fotografias “escola_em_casa: sentimentos presenciais!”, da fotógrafa Zélú. Com lançamento agendado para março, no Espaço Cultural Renato Russo, a obra também será acompanhada de uma exposição que ficará disponível de 5 a 13 de março. A artista percorreu escolas e universidades em todas as regiões do Brasil entre 2020 e 2025, capturando não apenas imagens, mas sentimentos e vivências.
Com um total de 80 fotografias, a publicação surge de uma indagação que reverberou em salas de aula de norte a sul do país: “O que vocês estão sentindo hoje?”. Entre emoções como tédio, medo e esperança, as imagens se tornam um testemunho coletivo, formando um retrato afetivo de um dos períodos mais difíceis da história recente do Brasil.
A Escuta como Ferramenta Transformadora
A escuta dos sentimentos dos alunos e professores foi tão impactante que influenciou a abordagem da fotógrafa. “Ouvir o que estamos sentindo transformou minha fotografia. Não se trata apenas de registrar memórias, mas de expressar o que sentimos de maneira lúdica, como um estudante que sonha em ser professor”, conta Zélú. Armado com uma câmera e um caderno, a artista criou um acervo que vai além do mero registro documental, desenvolvendo fotos-performances que refletem a exaustão e as nuances da experiência educativa durante a pandemia.
A narrativa visual proposta por Zélú procura desvelar as camadas emocionais da realidade escolar, reafirmando a arte como uma ferramenta de escuta e de construção coletiva.
Novo Ciclo com o Retorno Presencial
Com a volta das aulas presenciais, a artista deu novos contornos à sua pesquisa através do “caderno de sentimentos presenciais”. Esse caderno, que circulou em cidades como Belém, Brasília e São Paulo, se tornou um correio afetivo e um espaço expositivo itinerante. Reunindo relatos que vão além das marcas da pandemia, abrange temas urgentes da vida estudantil, como transfobia e assédio. Ao transformar esses relatos em livro, Zélú reafirma a importância de cuidar e fortalecer as políticas públicas de educação. “Quero fazer desse livro uma memória coletiva sobre a educação no Brasil hoje”, ressalta a fotógrafa.
Construindo Memórias com Cores e Sons
Ao refletir sobre a memória que deseja criar, Zélú utiliza a imagem de uma semente: “Como estudante, minha intenção é criar uma memória que, uma vez plantada, possa transformar o imaginário sobre a educação contemporânea”. Ela ainda destaca a intenção de construir memórias repletas de cores vibrantes e momentos que desafiem a formalidade das salas de aula. A exposição, que contará com 11 fotografias, terá curadoria da historiadora e artista da palavra Bruna Paz, que também conduzirá a palestra “Educar em Meio à Crise: Arte e escola na pós-pandemia” durante o evento de lançamento.
O projeto destaca a escola como um espaço de afeto e resistência, buscando reconstruir o que foi perdido durante o isolamento. Esta iniciativa é realizada com o apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC/DF), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
Serviço da Exposição e Lançamento
A exposição “escola_em_casa: sentimentos presenciais” ocorrerá de 5 a 13 de março de 2026, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 10h às 20h, no Mezanino do Espaço Cultural Renato Russo, em Brasília. O lançamento do livro e a palestra com Zélú ocorrerão no dia 13 de março de 2026, das 19h às 21h, na Praça Central do mesmo espaço.

