A Inviabilidade do Futebol Feminino

No início de 2026, o Real Brasília anunciou o encerramento das atividades do seu time de futebol feminino, um desfecho que gerou grande repercussão. Em uma conversa exclusiva com a equipe da Esportes Brasília, Pedro Ayub, diretor do clube, esclareceu os motivos que levaram a essa difícil decisão. Em entrevista ao Lance, Ayub detalhou as razões para a não renovação do contrato com o patrocinador Master, o Banco de Brasília (BRB).

O dirigente ressaltou que a diferença de investimento necessária para o projeto das Leoas no início das atividades não se sustenta atualmente. Para ele, a continuidade do time feminino depende da renovação do apoio financeiro do BRB. “É uma situação insustentável sem esse suporte. Sem o patrocínio, não conseguimos bancar as atletas que estiveram conosco”, afirmou Ayub.

Ele também mencionou um Projeto de Lei, já aprovado em dezembro de 2025, que poderia oferecer um alívio financeiro ao clube. O Programa de Apoio ao Futebol do Distrito Federal foi visto como uma solução, mas a espera pela definição do patrocínio tornou-se um entrave significativo.

Os Desafios do Patrocínio

Enquanto o clube aguardava uma resposta sobre a renovação do contrato, Ayub revelou que tentativas de buscar novos patrocinadores falharam. “Tentamos buscar alternativas e apoio, mas a realidade é que a falta de resposta definitiva do BRB inviabilizou a continuidade do projeto”, explicou o diretor, que também destacou o sucesso alcançado pelo Real Brasília nos últimos seis anos, contribuindo para a boa colocação do Distrito Federal no Ranking Nacional de Futebol Feminino.

O Real Brasília comunicou por meio de sua conta oficial no Instagram que não participará do Campeonato Brasileiro A1, a principal competição do futebol feminino no Brasil. Ayub foi enfático ao declarar que é muito improvável que o clube participe do Candangão em 2026, uma vez que, sem investimentos, a formação de uma equipe competitiva se torna inviável.

Desigualdade entre os Gêneros

Durante a conversa, o diretor também abordou a disparidade entre os investimentos no futebol feminino e masculino. Ele mencionou que a falta de apoio local afeta a capacidade do clube de manter um time competitivo. “Brasília possui um número limitado de grandes empresas dispostas a investir no esporte. A diferença salarial é notável, e manter uma equipe na elite do futebol feminino se tornou um desafio monumental”, comentou.

Ayub observou que a manutenção da categoria de base é mais viável financeiramente do que sustentar jogadoras de alto nível. “Os custos para manter uma equipe no Brasileirão A1 são significativamente mais altos do que para desenvolver a base”, enfatizou. Essa discrepância tem levado a críticas nas redes sociais, especialmente direcionadas aos jovens atletas, que não compreendem o porquê da continuidade do masculino e da base em contraste com o fim da equipe feminina.

O diretor concluiu sua análise afirmando que os desafios enfrentados pelo futebol feminino no Brasil são reflexo de uma estrutura ainda em desenvolvimento. A falta de apoio e reconhecimento para a modalidade feminina é uma realidade que precisa ser urgente discutida. O futuro do Real Brasília e do futebol feminino no Distrito Federal depende da mobilização de patrocinadores e da valorização do esporte, com a esperança de que mudanças significativas possam ocorrer nos próximos anos.

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