Um Alerta Sobre Desaparecimentos no Brasil
Em 2025, o Brasil registrou um aumento significativo no número de pessoas desaparecidas, totalizando mais de 84 mil casos, conforme informações coletadas pelos estados e o Distrito Federal e enviadas ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Este total representa o maior índice desde que se iniciou o acompanhamento em 2015, superando os números que foram registrados antes da pandemia de Covid-19.
Os dados abrangem todas as faixas etárias e compõem o painel oficial de Pessoas Desaparecidas e Localizadas. Essa iniciativa é alimentada pelas secretarias estaduais de segurança pública e pelo Distrito Federal, o que demonstra uma articulação em nível nacional para tratar esse tema preocupante.
De acordo com a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, estabelecida pela lei 13.812/2019, considera-se pessoa desaparecida todo indivíduo cujo paradeiro é desconhecido, independentemente da causa de seu desaparecimento. Em termos estatísticos, a taxa de desaparecimentos em 2025 foi de 39 casos a cada 100 mil habitantes, refletindo a gravidade da situação em várias regiões do país.
Desafios e Possíveis Explicações para o Aumento dos Casos
A coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, Iara Buoro Sennes, enfatiza a necessidade de uma análise mais aprofundada dos indicadores de desaparecimento e localização. Ela destaca que, muitas vezes, os familiares registram os desaparecimentos, mas não comunicam o retorno das pessoas, o que pode inflar os números.
Além disso, há uma tentativa de incentivar o registro imediato de ocorrências de desaparecimento. Iara menciona que a oscilação nos números pode ser atribuída ao aumento da conscientização e à visibilidade em relação à formalização desses casos. Este esforço inclui campanhas que incentivam o registro imediato, uma mudança diante da antiga expectativa de esperar 24 horas para comunicar oficialmente um desaparecimento.
São Paulo: O Epicentro dos Desaparecimentos
O estado de São Paulo concentra uma parte significativa dos casos, com 20.564 desaparecimentos registrados em 2025, representando 24% do total nacional. Por outro lado, quando analisamos a taxa de desaparecimentos em relação à população, Roraima se destaca, com cerca de 80 desaparecimentos a cada 100 mil habitantes.
Iara Sennes aponta que compreender as diferenças entre estados e regiões é um dos desafios enfrentados pela política pública nesse âmbito. Ela afirma que a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas é uma iniciativa recente e ainda exige um maior alinhamento com os estados para garantir uma “clareza estatística sobre as causas de desaparecimento”. A implementação efetiva das disposições legais começa a partir de 2019, o que marca um avanço na estrutura de registro e acompanhamento desses casos.
Ranking de Desaparecimentos por Estado
Veja o detalhamento dos desaparecimentos por estado em 2025:
- São Paulo: 20.546 casos (taxa de 44,59 por 100 mil habitantes)
- Minas Gerais: 9.139 casos (taxa de 42,72 por 100 mil habitantes)
- Rio Grande do Sul: 7.611 casos (taxa de 67,75 por 100 mil habitantes)
- Paraná: 6.455 casos (taxa de 54,29 por 100 mil habitantes)
- Rio de Janeiro: 6.331 casos (taxa de 36,76 por 100 mil habitantes)
- Santa Catarina: 4.317 casos (taxa de 52,73 por 100 mil habitantes)
- Bahia: 3.929 casos (taxa de 26,42 por 100 mil habitantes)
- Goiás: 3.631 casos (taxa de 48,91 por 100 mil habitantes)
- Pernambuco: 2.745 casos (taxa de 28,71 por 100 mil habitantes)
- Ceará: 2.578 casos (taxa de 27,81 por 100 mil habitantes)
Crianças Desaparecidas: Uma Realidade Alarmante
Quando se fala em desaparecimentos de menores de 18 anos, o Brasil registrou 23.919 casos em 2025, o que equivale a uma média de 66 desaparecimentos diários, representando um aumento de 8% em relação a 2024. O desaparecimento recente dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, na zona rural de Bacabal (MA), mobilizou a comunidade local. Eles desapareceram no dia 4 de janeiro, e as buscas estão em andamento, completando três semanas nesta segunda-feira (26).
As operações envolvem a força-tarefa do Alerta Amber, um protocolo que aciona alertas em situações de risco como desaparecimentos ou sequestros de crianças. Este sistema utiliza plataformas como Facebook e Instagram para disseminar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local onde foram vistas pela última vez.
Entre os estados, as taxas de desaparecimentos de crianças e adolescentes mais altas foram registradas em Roraima, com 40 por 100 mil habitantes, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 28, e Amapá, com 24. Essa situação evidencia a urgência de ações efetivas e integradas para abordar o problema do desaparecimento no Brasil.

