Demanda Crescente no Agronegócio
O agronegócio brasileiro continua a se firmar como um dos principais motores do emprego no país, contabilizando 7,72 milhões de pessoas ativas em diversas atividades, incluindo agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura. Esses números representam 7,6% do total de 102,14 milhões de trabalhadores em todo o Brasil, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
Além da significativa quantidade de empregos, o setor agropecuário tem se destacado na criação de novas vagas formais. Em janeiro de 2026, o Brasil registrou a criação de 112,3 mil empregos com carteira assinada, sendo que cerca de 20% desse total, ou aproximadamente 23 mil novas vagas, vieram do agronegócio.
Esse desempenho é reflexo do dinamismo das atividades no campo, particularmente durante as épocas de colheita e manejo das principais culturas. As contratações no setor agropecuário aumentaram 78,6% em comparação a dezembro, totalizando 113,4 mil admissões, enquanto os desligamentos caíram 16,2%, evidenciando um saldo positivo nas contratações.
Consequentemente, o número de empregos formais na agropecuária alcançou 1,86 milhão de trabalhadores no início de 2026, solidificando o setor como um dos mais vibrantes na geração de oportunidades, mesmo em um contexto econômico repleto de incertezas.
O Papel dos Safristas na Colheita
Esses dados ressaltam a importância estrutural do agronegócio na economia e ajudam a compreender a crescente demanda por mão de obra durante os picos de colheita. Nesse cenário, os safristas – trabalhadores temporários cruciais para a colheita – se tornam ainda mais relevantes.
Culturas como café, uva, frutas e até grãos em determinadas regiões têm sua colheita diretamente atrelada à disponibilidade de mão de obra temporária. Muitas vezes, a agilidade na colheita está condicionada à presença desses trabalhadores temporários, o que impacta diretamente nos resultados da produção.
Nos últimos meses, essa temática ganhou destaque no Congresso Nacional, com articulações da Frente Parlamentar da Agropecuária visando facilitar a formalização da contratação desses trabalhadores. A proposta principal sugere que os safristas possam ser contratados com carteira assinada durante o período da colheita, preservando seus direitos sociais, como o Bolsa Família.
Essa medida busca resolver um desafio persistente no setor: a dificuldade em atrair trabalhadores para contratos temporários formais. Ao garantir a manutenção dos benefícios sociais, o objetivo é aumentar a disponibilidade de mão de obra nos períodos críticos da atividade agrícola.
Desburocratização e Eficiência no Campo
Outra questão em discussão refere-se à simplificação das regras de contratação. Há propostas para ajustes no sistema eletrônico de registro, visando reduzir a burocracia e proporcionar mais agilidade ao produtor, sem comprometer a formalidade e os direitos trabalhistas.
A implementação dessas medidas pode trazer maior previsibilidade na formação de equipes durante as safras. Em um ambiente onde as operações precisam ser cada vez mais precisas, a falta de mão de obra pode resultar em perdas significativas em produtividade e qualidade.
Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), enfatiza que os dados da PNAD ressaltam não apenas a importância do agronegócio na criação de empregos, mas também suas características específicas, intimamente ligadas ao calendário produtivo. “A demanda por mão de obra é concentrada em momentos específicos. É nesse cenário que os safristas se tornam essenciais,” comenta Rezende.
“Criar condições para que o safrista trabalhe formalmente, sem perder benefícios sociais, resolve dois problemas simultaneamente: proporciona segurança ao trabalhador e garante mão de obra para o campo. Isso traz previsibilidade aos produtores, que, atualmente, enfrentam a incerteza sobre a disponibilidade de equipes no momento certo,” ele acrescenta.
“A produção agrícola brasileira opera em grande escala e com prazos cada vez mais críticos. Não podemos depender de soluções improvisadas. A profissionalização da contratação, especialmente no setor temporário, é crucial para aumentar a eficiência no campo e evitar perdas que afetam diretamente a produtividade e a receita dos produtores,” avalia Rezende.
“Nesse contexto, os safristas são fundamentais para garantir o funcionamento da cadeia produtiva. A modernização das regras de contratação pode reduzir gargalos históricos e tornar as operações mais eficazes no campo. O agronegócio não é apenas um gerador de empregos, mas demanda soluções específicas para manter sua produtividade. Garantir mão de obra na hora certa é tão estratégico quanto insumos e tecnologias,” conclui Isan Rezende.

