Ex-governador do DF se Manifesta
BRASÍLIA – O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), respondeu às declarações do novo secretário de Economia, Valdivino Oliveira, que revelou um déficit orçamentário de R$ 2,7 bilhões nos últimos balanços financeiros da capital. Em entrevista ao Broadcast/Estadão, Ibaneis classificou a fala do secretário como “inadequada”.
“Uma fala inadequada, sem maiores consequências. Tenho plena consciência do trabalho que realizei. Não vejo razão para esclarecer nada a ninguém, especialmente sobre um assunto que considero irrelevante”, declarou o ex-governador.
Valdivino, que assumiu o cargo recentemente, enfatizou que seu principal desafio será reequilibrar as contas do Distrito Federal, prevendo cortes, especialmente em serviços terceirizados.
A nomeação de Valdivino ocorreu na semana passada, feita pela governadora Celina Leão (PP), que tomou posse após a descompatibilização de Ibaneis, que se prepara para concorrer ao Senado. Anteriormente, Valdivino era secretário da Fazenda em Goiânia (GO).
Fontes próximas ao Palácio do Buriti informaram ao Estadão/Broadcast que Ibaneis contatou secretários de Celina para expressar sua insatisfação com a declaração do novo secretário, mas o ex-governador negou ter feito essas ligações.
Em conversa com o Broadcast Político, Ibaneis elogiou sua sucessora: “Minha relação com Celina é longa e sempre fundamentada em sinceridade e confiança.”
Desafios Políticos em Meio à Eleição
A declaração de Valdivino vem em um momento delicado para Celina, que é pré-candidata à reeleição. Ela busca apoio do PL e do ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto enfrenta resistência em incluir Ibaneis, também pré-candidato ao Senado, na chapa.
Ibaneis está no centro de investigações relacionadas ao rombo no Banco de Brasília (BRB), onde o governo distrital é acionista majoritário. O BRB adquiriu créditos de baixo valor do Banco Master, ligado a Daniel Vorcaro, necessitando encontrar uma solução para cobrir as perdas. O banco teve que comprar R$ 12,2 bilhões em carteiras de créditos do Master, que o Banco Central (BC) identificou como não lastreados. Ibaneis havia tentado comprar o Master em março de 2025, mas essa proposta foi rejeitada pelo BC em setembro, após uma análise detalhada dos balanços dos dois bancos, que revelou possíveis crimes financeiros.
Dessa forma, Celina se vê em um dilema: apoiar Ibaneis e arriscar a perda do apoio do bolsonarismo em sua candidatura à reeleição, ou não apoiar seu aliado e permanecer ao lado de figuras como Michelle e Bia. Uma fonte próxima ao governo indicou que a governadora se encontra em uma “sinuca de bico”.
Uma terceira alternativa, que implicaria na criação de três candidaturas apoiadas pela governadora para duas vagas no Senado, é considerada por aliados como inviável, pois abriria espaço para a esquerda conquistar uma das cadeiras. Entre os candidatos apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão a deputada federal Erika Kokay (PT) e a senadora Leila Barros (PDT).
Em sua conversa com o Broadcast Político, Ibaneis reafirmou seu compromisso em articular apoio do PL e do PP: “Como sempre digo, lutarei até o último dia para que todos estejamos unidos aqui e em nível nacional”, declarou o ex-governador.

