Defesa do Governador em Tempos de Pressão
A situação envolvendo Lulinha, filho do presidente Lula, ganhou novos contornos com a afirmação de que “o presidente Lula deixa a Polícia Federal investigar”. Essa declaração, feita a um veículo de comunicação por uma fonte próxima a Lulinha, tornou-se um lema entre os aliados do governo. A intenção é destacar um contraste com a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo críticos, utilizou seu poder para influenciar a atuação da PF em benefício próprio.
Questionados sobre as investigações que cercam Lulinha, parlamentares do PT apontaram que, no governo passado, o ex-presidente trocava delegados da PF em uma tentativa de proteger sua família, fazendo alusão a uma denúncia feita em 2020 por Sergio Moro, que na época era ministro da Justiça e atualmente é senador.
A pressão sobre Lulinha e o governo aumentou após a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático, uma ação que intensificou o foco nas investigações em curso. O advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, expressou preocupação com uma suposta campanha midiática que estaria divulgando informações parciais e confidenciais relacionadas às fraudes no INSS, e solicitou acesso ao inquérito que investiga o caso.
Desdobramentos das Investigações
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS decidiu quebrar os sigilos de Lulinha em uma sessão conturbada, decisão esta que gerou críticas entre os aliados do governo. Informações que surgiram após essa reunião indicaram que o ministro Mendonça havia autorizado as quebras de sigilo antes, em atendimento a um pedido da PF.
As investigações apontam Lulinha como suposto elo em um esquema de desvio de aposentadorias e pensões, especificamente através de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e a empresária Roberta Luchsinger, de São Paulo. A PF encontrou cinco transações de R$ 300 mil de uma empresa do Careca para uma empresa ligada a Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão, com suspeitas de que estes valores tenham sido desviados de aposentadorias.
Além disso, mensagens de WhatsApp entre Careca e um ex-sócio revelaram que o lobista mencionou um dos pagamentos destinados a Roberta como sendo “para o filho do rapaz”. Embora não tenha sido explicitamente identificado, essa frase levanta questionamentos sobre a relação entre os pagamentos e Lulinha.
Um ex-funcionário de Careca, que prestou depoimento à PF, afirmou que o lobista frequentemente mencionava que pagava uma mesada de R$ 300 mil a Lulinha, com a expectativa de que ele ajudasse uma de suas empresas, a World Cannabis, a comercializar produtos de canabidiol junto ao Ministério da Saúde.
Amizades e Defesas
Querendo desviar a atenção das suspeitas, um amigo próximo a Lulinha comentou que ele considera improvável que Careca tenha afirmado que pagava uma mesada ao filho do presidente. Além disso, essas relações são complicadas pela amizade de Lulinha com Roberta, que é uma das melhores amigas de Renata, esposa do filho do presidente. É importante ressaltar que Lulinha também mantém laços com Gustavo Gaspar, outro investigado no esquema. A PF descobriu registros indicando um pagamento em dinheiro vivo de R$ 40 mil do Careca para Gaspar, o que levanta ainda mais questões sobre a rede de conexões envolvidas.
Os advogados de Lulinha rechaçam as acusações, alegando que ele nunca recebeu dinheiro de Careca para influenciar decisões no Ministério da Saúde ou na Anvisa. Marco Aurélio Carvalho, advogado de Lulinha, lembrou que seu cliente já foi alvo de fake news no passado, que o envolviam em histórias falsas sobre riqueza e propriedades.
Por outro lado, Bruno Salles, que defende Roberta, confirmou os pagamentos recebidos, mas sustentou que eram legais e não tinham relação com Lulinha. Ele contestou a narrativa em torno das mensagens que geraram preocupações, alegando que estavam fora de contexto e que a defesa já tinha apresentado explicações ao STF.

