Reconhecimento Internacional da Educação Brasileira
“Ou eu abraçava esse lixo como objeto de conhecimento ou ia me lamentar que não tinha material”. Essa foi a reflexão da professora de português Débora Garofalo, que em 2015 decidiu ensinar robótica a seus alunos em uma escola municipal de São Paulo, utilizando sucata. Mais de dez anos depois, a educadora é reconhecida como uma das mais influentes do mundo pela Varkey Foundation, responsável pelo Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação.
No último Prêmio Faz Diferença, Garofalo foi laureada na categoria Educação. Em sua fala, ela ressaltou a relevância dos educadores da rede pública brasileira: “Receber o Global Teacher Prize mostra que temos competência e criatividade comparáveis aos melhores do mundo. Meu desejo é que o trabalho com robótica e inovação se torne uma política pública no Brasil”, afirmou a educadora de 46 anos.
O sucesso de seu projeto inicial na escola paulista não só abriu portas para outras instituições, mas também possibilitou que sua ideia alcançasse uma escala impressionante: atualmente, ela impacta 5,4 mil escolas da rede estadual, beneficiando cerca de 3,7 milhões de estudantes. Além disso, Garofalo participou da criação dos Ginásios Internacionais Tecnológicos (GETs) na rede municipal do Rio de Janeiro, onde também exerce papel de consultora e formadora para outros educadores.
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A Importância da Educação Transformadora
“Coletamos material na rua para estudar robótica”, diz Garofalo, que compartilhou um pouco de sua trajetória e os desafios enfrentados na formação de seus alunos. Para ela, ser professor é muito mais do que simplesmente transmitir conteúdo. “Ser professor não é uma escolha fácil, mas é uma decisão com propósito. Esse é um caminho potente para quem quer fazer a diferença real na vida das pessoas. Plantamos todos os dias, mesmo sem ver resultado imediato. Quando ele vem, transforma não só o aluno, mas também o educador”, explica.
Crescendo em uma família de valores fortes em educação – sua mãe, com apenas o ensino médio, criou sozinha três filhas e sempre enfatizou a importância do aprendizado – Garofalo compreendeu desde cedo a importância do conhecimento. Para custear sua faculdade, trabalhou em uma indústria, onde selecionava jovens para o chão de fábrica, e percebeu que muitos deles não possuíam o básico em tecnologia. Esse episódio foi determinante em sua escolha profissional.
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Em 2013, Garofalo passou em seu primeiro concurso como professora e, em 2015, lançou o projeto que mudaria sua vida e a vida de muitos alunos. Ela observa: “Quando você entra em uma sala de aula, percebe que não está ali apenas para ensinar conteúdos. Está lidando com histórias e realidades diferentes, muitas vezes com desafios que vão além da escola. A educação continua sendo um dos poucos caminhos que pode mudar essas trajetórias.”
O exemplo de Débora Garofalo não só inspira outras educadoras e educadores, mas também destaca o poder transformador da educação. Sua trajetória reafirma a ideia de que, mesmo diante de adversidades, é possível fazer a diferença e moldar um futuro mais promissor para os jovens.
