Desenvolvimento regional e economia marcam debate em Minas Gerais
O debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais promovido pela Globo Minas, realizado entre a noite de terça-feira, 29, e a madrugada de quarta-feira (30/9), colocou no centro da discussão temas como desenvolvimento regional, dívida pública, incentivos fiscais e investimentos. A disputa presidencial e a relação do Estado com Brasília emergiram como pontos-chave nessa fase final da campanha.
Mateus Simões (PSD) e Flávio Roscoe (PL) reafirmaram apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Alexandre Kalil (PDT) defendeu um caminho político que exclua tanto o candidato do PL quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Cleitinho Azevedo (Republicanos) enfatizou a importância do diálogo com o governo federal, independentemente do resultado da eleição, enquanto Patrus Ananias (PT) vinculou sua proposta para Minas Gerais à sua própria vitória no Estado e à reeleição de Lula.
Discussões econômicas e regionais ganham espaço no debate
No terceiro bloco, voltado para as diferentes regiões de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo e Alexandre Kalil iniciaram a discussão econômica focada no Sul do Estado. Cleitinho criticou os contratos de concessão das rodovias e os altos valores dos pedágios, que chegam a R$ 15 e R$ 16, mesmo sem a duplicação das vias. Ele prometeu revisar cada contrato para eliminar benefícios às concessionárias, afirmando que o foco deve ser o benefício ao povo.
Kalil destacou os impactos da reforma tributária na região e defendeu a manutenção dos incentivos fiscais para proteger empregos e empresas locais. Citando o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), afirmou que Minas Gerais precisará se adaptar ao novo modelo tributário para preservar a economia do Sul do Estado. O candidato do PDT também defendeu que o Estado agregue valor à produção local, citando o exemplo do café, que deve ser vendido em formas processadas, assim como minerais estratégicos.
Confrontos sobre gestão estadual e propostas para regiões
O debate sobre a gestão de Romeu Zema (Novo) ganhou destaque quando Kalil escolheu Simões para discutir as regiões central e metropolitana. Kalil acusou Simões de tentar se distanciar do governo do qual participou, afirmando que a região central foi abandonada. Simões rebateu classificando a gestão de Kalil em Belo Horizonte como a pior da história da capital e criticou o Plano Diretor aprovado na sua administração. Ele também ressaltou obras de metrô, irrigação e infraestrutura para defender o atual governo.
Kalil respondeu lembrando o desempenho eleitoral de Simões, destacando que pretende chegar ao segundo turno contra Cleitinho e enfatizando a necessidade de impedir o avanço do PT na disputa. Na Zona da Mata, o embate entre Gabriel Azevedo (MDB) e Simões se concentrou nas contas estaduais. Azevedo questionou Simões sobre um déficit projetado de R$ 7 bilhões para o próximo ano e defendeu um modelo de “cidade-esponja” para enfrentar os impactos das chuvas, com recuperação de leitos de rios, arborização e intervenções em encostas.
Simões, por sua vez, destacou investimentos do governo estadual em saúde e infraestrutura na região. Azevedo também defendeu uma política de agregação de valor aos minerais críticos, enquanto Patrus Ananias ressaltou a importância de conciliar desenvolvimento regional com proteção ambiental e participação do setor empresarial.
Relação com Brasília e disputa presidencial ganham destaque
No terceiro bloco, a disputa presidencial passou a ter espaço mais explícito. Flávio Roscoe reafirmou seu alinhamento com Flávio Bolsonaro, enquanto Cleitinho defendeu a atração de investimentos privados para o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha, pregando o fim da “guerra com o governo federal”.
No último bloco, a relação de Minas Gerais com o governo federal e a disputa presidencial ganharam ainda mais espaço. Simões reiterou seu apoio a Flávio Bolsonaro, criticando a gestão do presidente Lula e afirmando que Minas envia muitos recursos a Brasília e recebe pouco em retorno. Ele defendeu a destinação dos valores pagos em juros da dívida estadual para investimentos em infraestrutura.
Kalil buscou se distanciar dos dois principais polos da eleição presidencial, afirmando que não combinou politicamente com Lula e defendendo um caminho livre, sem Flávio Bolsonaro e sem Lula. Cleitinho adotou postura de manter uma relação institucional com Brasília, independente do presidente, defendendo uma agenda de menor participação estatal na economia e maior liberdade para empresários.
Patrus Ananias manteve a aposta na aproximação com o governo federal sob Lula, destacando que o Estado será recebido “quebrado e mal governado” e defendendo a negociação da dívida estadual e o fim das isenções fiscais que, segundo ele, beneficiam empresários próximos ao governo.
Roscoe levou a discussão nacional ao Judiciário, criticando o Supremo Tribunal Federal (STF) e ressaltando a importância das indicações presidenciais para a Corte.
O tamanho e o uso do Estado também dividiram os candidatos. Cleitinho afirmou que o combate a desvios liberaria recursos públicos, resumindo sua crítica à gestão estadual ao dizer que “o Estado nunca esteve quebrado, ele só esteve roubado”.
A disputa por uma vaga no segundo turno marcou o embate final. Simões pediu votos para enfrentar Cleitinho e barrar o avanço do PT, enquanto Cleitinho defendeu que a eleição seja decidida já no primeiro turno e afirmou que as divergências da campanha não devem impedir futura cooperação entre eles. Ele ainda destacou que permanecerá no Senado caso não seja eleito governador.
Patrus Ananias também pediu votos para seguir na disputa e, ao ser questionado sobre a administração de Fernando Pimentel (PT), evitou defendê-lo diretamente. Declarou: “Eu não sou advogado do Pimentel, o candidato é Patrus Ananias”, mas lembrou que Pimentel foi seu secretário da Fazenda na Prefeitura de Belo Horizonte e destacou que os dois “fizeram história”.

