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    Início » Cultura como Pacto Social: Um Olhar Profundo sobre a Convivência
    Cultura

    Cultura como Pacto Social: Um Olhar Profundo sobre a Convivência

    10/01/2026
    Cultura como Pacto Social: Um Olhar Profundo sobre a Convivência

    A Importância da Cultura na Formação de Laços Sociais

    A cultura é um termo multifacetado que carrega significados diversos, algo que considero positivo, pois abrange muitos aspectos fundamentais da experiência humana. Ela se manifesta tanto em aspectos específicos, ligados às artes, quanto em uma perspectiva mais ampla, que considera a antropologia e os modos de vida, os costumes e as expressões das pessoas e das coletividades.

    É precisamente essa visão mais abrangente que quero explorar neste texto. A cultura é generosa, pois engloba uma vasta gama de formas de expressão estética. Sua definição elástica reflete as variadas formas de sociabilidade, as interações com o ambiente, os hábitos de lazer, a corporeidade, as práticas de cuidado e até mesmo os costumes alimentares. Todas essas dimensões fazem parte do rico tecido cultural que nos cerca.

    Os atos culturais realizados pelas comunidades que compõem a sociedade, embora possam parecer espontâneos, estão enraizados em códigos e valores compartilhados. Esses elementos incluem tradições, saberes e visões de mundo que são transmitidos de geração para geração. Assim, sustento que a separação entre o que é considerado “voluntário” e o que é estruturado por uma intencionalidade política ou social é, na verdade, artificial.

    Para ilustrar meu ponto de vista, cito as festas de rua, que em diferentes locais promovem a união e o reconhecimento entre os moradores e visitantes. Em São Paulo, temos festas emblemáticas, como a Festa da Achiropita, no Bixiga, a Festa de origem judaica, o Eruv, organizada pela Casa do Povo no Bom Retiro, e a Festa do Boi, no Butantã. As inúmeras quermesses e blocos carnavalescos que se espalham pela cidade são expressões dessa rica cultura comunitária. O período pré-Carnaval, que se aproxima, nos proporciona uma excelente oportunidade para refletir sobre essas questões.

    Participar desses eventos é, na verdade, incorporar repertórios culturais únicos, que vão desde as formas de ocupação do espaço público até as dinâmicas de interação que emergem nesses contextos. Esses encontros envolvem a presença de diferentes corpos, a praticidade da solidariedade e os hábitos específicos adequados a cada celebração, além das manifestações simbólicas que conferem significado a cada evento.

    Neste sentido, a institucionalidade da cultura pode desempenhar um papel crucial, não para regulamentar os movimentos da sociedade civil, mas para valorizá-los e facilitar sua realização. Incluir tais práticas nas políticas culturais pode fortalecê-las e, consequentemente, fomentar a interculturalidade, onde diferentes grupos se influenciam mutuamente. É responsabilidade dos setores público e privado estimular e apoiar essas iniciativas.

    Aos benefícios já mencionados, acrescento um que considero essencial para a experiência democrática: quem participa de atividades culturais que promovem a empatia, a criatividade e o bem coletivo tende a se comprometer mais com causas coletivas. Isso inclui a justiça social, os direitos humanos e a redistribuição de oportunidades entre a população.

    Fomentar vínculos por meio da participação nas celebrações comunitárias é uma maneira promissora de fortalecer os pactos sociais. Os encontros proporcionados pela cultura têm a capacidade de unir as pessoas pelo que temos em comum, trazendo alegria e um sentido de pertencimento que é vital em nossa sociedade.

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