Mortes na Rede Pública Aceleram Debate sobre Saúde no DF
O Distrito Federal enfrenta uma crise grave na saúde pública após registrar seis mortes em menos de um mês em unidades do sistema único de saúde (SUS) sob gestão do Governo do Distrito Federal (GDF). Os casos, que estão sendo investigados administrativa e criminalmente, evidenciam problemas estruturais e falhas no atendimento em várias regiões da capital federal.
Casos de Partos com Falhas Médicas no Hospital Regional de Samambaia
Dois episódios trágicos ocorreram no Hospital Regional de Samambaia, em um intervalo inferior a uma semana. Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu após um parto normal, embora tenha solicitado uma cesariana. A família relata que a equipe médica esqueceu a placenta dentro da paciente, causando hemorragia fatal algumas horas depois.
Quatro dias após o primeiro caso, Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, também faleceu durante o parto. Mesmo informando que não tinha condições para parto normal, a equipe médica optou por esse procedimento e só realizou cesariana após sinais de sofrimento da bebê.
Extubação Acidental e Morte de Bebê em Transferência entre Hospitais
Outro caso que chocou a população foi a morte de uma bebê de 5 meses durante transferência do Hospital Regional de Planaltina (HRP) para o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). A criança teria sofrido uma extubação acidental no trajeto. A Secretaria de Saúde lamentou o ocorrido e afirmou que investiga as circunstâncias do óbito.
Leia também: Homem morre aguardando atendimento na UPA: um retrato da saúde no Distrito Federal
Leia também: Marco Zero da Pesquisa em Cannabis Medicinal no Distrito Federal: Início de Estudo na Fiocruz Brasília
Longas Esperas e Falta de Atendimento nas Unidades de Saúde
O primeiro caso da sequência foi o de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, que faleceu na recepção da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Recanto das Emas após esperar cerca de quatro horas sem atendimento. A Polícia Civil do DF (PCDF) investiga possível omissão de socorro. O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pela unidade, afirmou que continua apurando o caso e adotou medidas para melhorar o acolhimento e garantir a segurança dos pacientes.
No Plano Piloto, Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu na calçada do Hospital de Base, após apresentar intensa falta de ar e não receber atendimento imediato. Segundo familiares, o socorro só foi prestado depois que ele perdeu a consciência. O IgesDF instaurou procedimento para apurar os fatos.
Falta de Profissionais e Sobrecarga nas UPAs Agravam a Situação
O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) alertou para a superlotação crônica e o déficit severo de profissionais nas unidades de saúde. Em entrevistas ao Brasil de Fato DF, o CRM-DF destacou que a solução para os problemas passa pela recomposição estruturada da força de trabalho, com concursos públicos regulares e reestruturação das carreiras médicas. Contratações temporárias são consideradas paliativas e insuficientes para garantir atendimento seguro e estável.
Leia também: Cuidados Essenciais para Pacientes com Pressão Alta nos Dias Frios do Distrito Federal
Leia também: IV Jornada de Triagem Neonatal no Distrito Federal debate avanços no teste do pezinho
O conselho também apontou que as UPAs do DF têm atuado além da sua função original, retendo pacientes por longos períodos devido à saturação hospitalar, o que sobrecarrega as equipes e compromete a qualidade do serviço.
População do DF Aponta Saúde como Principal Problema em Pesquisa
Uma pesquisa do Observatório de Políticas Públicas do Distrito Federal (ObservaDF) realizada em abril de 2025 com mil moradores de 29 regiões administrativas revelou que cerca de metade da população considera a saúde o principal problema do DF. As maiores críticas foram ao mau atendimento (26%), filas nos prontos-socorros (14%) e falta de médicos (12,8%).
Além dessas queixas, a demora para tratamentos (9,6%), má gestão do sistema (5,3%) e falta de medicamentos (3,7%) também foram mencionadas. Nas UPAs, o tempo de espera foi o aspecto mais criticado, com 67% dos usuários avaliando negativamente. Já nos hospitais públicos, as filas para emergências, consultas e cirurgias foram os principais motivos de insatisfação, consolidando índices baixos de avaliação dos serviços públicos de saúde.
