Vacinação e Crescimento dos Casos de SRAG
O mais recente Boletim InfoGripe, publicado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na sexta-feira (13), revela um aumento expressivo nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal (DF). A única exceção é o Tocantins, que não reportou crescimento nas notificações. Esses dados correspondem à Semana Epidemiológica 9, que abrange o período de 1 a 7 de março.
De acordo com as informações do levantamento, este aumento está associado a um crescimento nas hospitalizações causadas por três patógenos principais: rinovírus, que afeta especialmente crianças e adolescentes de 2 a 14 anos; o vírus sincicial respiratório (VSR), que atinge as crianças menores de 2 anos; e a influenza A, que impacta jovens, adultos e idosos.
A pesquisadora Tatiana Portella, que atua no Programa de Computação Científica da Fiocruz e é coautora do Boletim InfoGripe, aponta que “o aumento do VSR já era esperado nesta época do ano. No entanto, a elevação da influenza A está se manifestando de forma antecipada em muitos estados, já que a expectativa era que houvesse um aumento mais significativo do vírus na maioria das regiões apenas a partir de abril”.
Regiões em Alerta
Atualmente, doze unidades da Federação (UFs) apresentam níveis de atividade de SRAG que estão em alerta, risco ou alto risco. Entre elas estão: Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Roraima e Sergipe.
O rinovírus é o principal responsável pelo aumento dos casos de SRAG na maioria das UFs. Contudo, a influenza A tem contribuído significativamente para o número de registros, especialmente nos estados da Região Norte (Amapá, Pará e Rondônia) e no Nordeste, com algumas exceções como Alagoas e Sergipe, além de cidades no Rio de Janeiro e Mato Grosso.
O VSR tem sido um fator de preocupação, especialmente em crianças menores de 2 anos, ampliando o número de casos principalmente em estados do Norte, como Acre, Amazonas, Pará e Rondônia, e em regiões do Centro-Oeste e Nordeste, incluindo Mato Grosso, Goiás, Paraíba e Sergipe.
O boletim também aponta um leve aumento de casos de SRAG relacionados à covid-19 em São Paulo e Rio de Janeiro, embora sem impacto significativo nas internações hospitalares.
Importância da Vacinação e Prevenção
Para a população das regiões que estão em alerta, Portella ressalta a relevância do uso de máscaras em ambientes fechados e em situações de aglomeração. “É igualmente crucial que todos adotem o isolamento ao apresentarem sintomas gripais. Caso o isolamento não seja viável, o uso de uma máscara de boa qualidade ao sair é fundamental”, orienta a especialista.
Entre as capitais brasileiras, 15 das 27 registram níveis de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com uma tendência de crescimento contínua. As cidades afetadas incluem Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Manaus (AM), Porto Velho (RO), Recife (PE) e São Luís (MA).
Ao longo do ano epidemiológico de 2026, mais de 16,8 mil casos de SRAG foram notificados, dos quais 35,9% apresentaram resultados laboratoriais positivos para algum vírus respiratório. Dentre os casos positivos, o rinovírus foi o agente mais frequentemente detectado, seguido pela influenza A e pela covid-19.

