Uma jornada que une gerações

O Coral da Universidade de Brasília (UnB), com suas raízes fincadas em maio de 1981, celebra 45 anos de história. Com inscrições abertas para novos integrantes até 27 de fevereiro, o coral se tornou um verdadeiro símbolo cultural, reunindo não apenas estudantes, mas também professores, técnicos e terceirizados da universidade. Ao longo dessas mais de quatro décadas, o grupo se consolidou como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal, reconhecido pela Lei Distrital nº 5.155/2013, e conquistou prêmios tanto no cenário nacional quanto internacional.

O maestro Éder Camúzis, regente do coral há 25 anos, destaca a importância e a presença marcante do grupo na vida de muitas pessoas. Para ele, o coral demonstra que a academia pode ser um espaço vibrante de criação coletiva e promoção de arte. “Comemorar 45 anos é muito significativo, pois representa nosso legado cultural na cidade e no país”, afirma o maestro, que também recorda o engajamento dos músicos durante a pandemia de covid-19, que se reinventaram por meio da produção de vídeos.

O Coral, que opera sob a coordenação da Diretoria de Esporte e Atividades Comunitárias do Decanato de Assuntos Comunitários (Deac/DAC), realiza ações de extensão e promove pelo menos uma apresentação por semestre, além de abrir oportunidades anualmente para novos cantores. A seleção dos novos membros é rigorosa, considerando afinação vocal, percepção auditiva e ritmo, priorizando a comunidade universitária, mas também aceitando participantes externos.

Ponte para a Cultura Brasileira

Atualmente, o Coral da UnB é composto por 48 integrantes de diversas idades e profissões, todos com um objetivo em comum: difundir a música coral em Brasília e além. Os ensaios são realizados semanalmente, sempre às quartas-feiras, das 19h30 às 22h30, no campus Darcy Ribeiro.

A história do coral é marcada por regentes renomados que deixaram sua marca, como David Junker, Emílio de César, Nelson Mathias, Glicínia Mendes e Marconi Araújo. David Junker, um dos membros fundadores e ex-maestro, recorda com emoção o primeiro ensaio do grupo, onde cerca de 300 pessoas se reuniram no Teatro de Arena. “Foi um momento épico; em poucos minutos, consegui que cantassem um cânone e o público nos brindou com aplausos por mais de cinco minutos”, relembra.

Para Junker, Brasília se estabeleceu como um centro cultural no Brasil, contribuindo para que o Coral da UnB se solidificasse e conquistasse espaço no cenário musical. O grupo não apenas se destacou em competições, mas também ganhou notoriedade ao vencer prêmios de prata no Concurso Internacional de Kalamata, na Grécia, em 2015, e o terceiro lugar no Festival Internacional de Corais de Curitiba em 2018. Além disso, em 2019, o coral foi premiado em três categorias no Concurso Internacional de Coros em Calella, na Espanha.

Momentos Memoráveis e o Futuro

Éder Camúzis destaca uma apresentação que se tornou inesquecível: o Festival Cantapueblo, em 2005, na Argentina. Na ocasião, o coral apresentou a canção “Canción con todos”, um clássico da música latino-americana, e recebeu uma ovação de pé de mais de mil pessoas, incluindo a filha do compositor presente na plateia. “Foi um momento que jamais esqueceremos”, conta o maestro emocionado.

Outro feito marcante foi a participação no Festival Lisboa Canta de 2024, que posicionou o coral na 295ª posição no ranking global da Interkultur, destacando-o entre os 300 melhores corais do mundo. “Conquistamos o primeiro lugar na categoria de música folclórica, reafirmando a riqueza musical do Brasil e a qualidade do nosso trabalho”, conclui Éder, que se orgulha de ser parte de um grupo que promove a união através da música.

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