Convocação na Câmara Legislativa
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do Distrito Federal decidiu convocar o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, e o secretário adjunto de Economia do governo local, Daniel Izaías de Carvalho. O objetivo é que ambos expliquem a situação financeira do banco, após a ausência deles em uma audiência pública marcada para esta terça-feira (7). A falta gerou descontentamento entre os deputados distritais, que criticaram o descumprimento de um compromisso assumido anteriormente.
Nelson e Daniel foram convidados a participar da sessão para discutir a falha na aquisição do Banco Master e as medidas de governança implementadas pelo BRB. O presidente da CCJ, deputado Thiago Manzoni (PL), ressaltou que a convocação foi transformada em convite apenas após os dois terem se comprometido publicamente a comparecer.
“A ausência dos convidados, especialmente diante da gravidade dos fatos, não é apenas um desrespeito a esta comissão. É, sobretudo, um desrespeito ao cidadão do DF, que tem o direito de saber o que está acontecendo com o BRB, uma instituição financeira pública que movimenta bilhões de reais e desempenha papel central na economia do DF”, afirmou Manzoni.
Críticas e Demandas de Informações
A ausência dos convocados também foi objeto de críticas do deputado Fábio Félix (PSOL). Ele mencionou várias reportagens que destacam a gravidade da situação envolvendo o banco público e lamentou a maneira como as autoridades do DF têm respondido às demandas sobre o assunto.
“Não só meu gabinete, mas todos os gabinetes desta Casa têm feito uma série de requerimentos de informação para ter acesso a documentos. A resposta do BRB tem sido desrespeitosa com a Câmara Legislativa. É sempre um ‘não’ taxativo, com base em argumentos de sigilo, dizendo que essas informações não podem ser prestadas a ninguém”, relatou Félix.
O deputado destacou que, na ausência dessas informações, os parlamentares ficam sem entender a real situação do banco, enfatizando que os depoimentos seriam fundamentais para esclarecer o que realmente está acontecendo tanto no governo quanto no BRB.
Félix também apontou a responsabilidade do governo do DF na situação. Segundo ele, o ex-governador Ibaneis Rocha foi quem enviou os projetos de lei à Câmara, favorecendo a operação. “A responsabilidade política está clara”, acrescentou.
Convocação do Ex-Governador na CPMI
No âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado, o ex-governador Ibaneis Rocha também era esperado para prestar depoimento nesta terça-feira, mas não compareceu. Essa não foi a primeira ausência do ex-governador em reuniões da CPMI, levando o colegiado a aprovar sua convocação.
A CPMI pretendia que Ibaneis falasse sobre as negociações do BRB para a compra do Banco Master, um negócio que foi barrado pelo Banco Central.
Entendendo a Crise do BRB
O Banco de Brasília enfrenta uma crise de confiança e problemas de liquidez, decorrentes dos prejuízos relacionados à aquisição de carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez do Banco Master. A Polícia Federal investiga indícios de fraude envolvendo a compra de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos do banco, o que agrava ainda mais a situação financeira da instituição.

