Consultoria Polêmica no Cenário Eleitoral
Documentos obtidos pelo GLOBO e pela rádio CBN revelam que Sabará abriu recentemente duas empresas de publicidade e treinamento em São Paulo, incluindo a Unipoli, abreviatura de “Universidade Política”. A Unipoli oferece cursos online por R$ 496, com a alegação de que a educação política não é abordada de maneira adequada nas escolas. A plataforma critica a abordagem ideológica, enfatizando a necessidade de uma educação neutra.
A proposta inicial, focada em cursos de curta duração, foi lançada em um evento em Alphaville, em novembro do ano passado, intitulado “Como destravar o Brasil”. A reportagem também apurou que a consultoria faz parte de um novo projeto denominado “Máquina de Votos”, cuja marca é um “M” estilizado e que visa a “ação digital”. Embora Sabará tenha se recusado a divulgar os nomes de seus clientes, ele mencionou que a lista inclui candidatos a deputado e a cargos executivos.
— Deixa eu lhes contar algo: não estou esperando que ninguém faça nada. Há muito estou mobilizando um batalhão. Nesta próxima eleição, vamos conquistar o parlamento inteiro. Vou liberar várias iniciativas e promover festas em todo o Brasil. Nos estados sem prefeitos do PT, faremos uma grande festa, vão ser sete dias de celebração — declarou Marçal durante a palestra mencionada.
A conta comercial no Instagram, que ainda é pouco divulgada, conta com apenas 25 seguidores, entre eles o ex-deputado estadual Frederico D’Ávila (PL-SP), uma figura respeitada no agronegócio paulista. D’Ávila confirmou que está em negociação com a consultoria e aguarda o envio de propostas. Ele já buscou uma vaga na Câmara há quatro anos, mas não obteve sucesso, especialmente após polêmicas envolvendo ofensas ao Papa Francisco. Na conta do Instagram, também aparecem nomes associados ao PP de São Paulo, mas o presidente estadual do partido, deputado federal Maurício Neves, não se manifestou sobre a relação com a nova iniciativa.
O Contexto Político de Marçal
Marçal, que se lançou como candidato a prefeito de São Paulo em 2024, adotou uma postura polêmica durante sua campanha, onde acusou o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) de uso de drogas sem apresentar evidências concretas. Essa estratégia culminou na divulgação de um laudo falso próximo ao primeiro turno da eleição. Além disso, sua campanha foi marcada por tumultos durante debates, incluindo um episódio em que um de seus assessores agrediu o marqueteiro de Ricardo Nunes (MDB).
Ele justificou suas ações, dizendo que foi necessário “agir como um idiota” para ganhar visibilidade em uma disputa onde enfrentou dificuldades financeiras em comparação aos concorrentes do pequeno partido PRTB. No entanto, acabou por perder a eleição, ficando em terceiro lugar, e logo em seguida foi condenado à inelegibilidade, em primeira e segunda instâncias, devido aos “campeonatos de cortes” que organizou na plataforma Discord durante a pré-campanha. Com a promessa de ganhos financeiros, contas anônimas compartilhavam vídeos em massa para viralizar nas redes sociais. Marçal já anunciou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre os professores mencionados no curso estão Rodrigo Kherlakian, um empreendedor que se apresenta como filósofo estoico nas redes sociais, e Daniel Gonzales, que promove o uso de neurociência nas escolas e gerencia uma página de extrema direita no Twitter. No entanto, apenas Sabará ocupa a posição de sócio-administrador da nova empresa. A assessoria de Marçal confirmou que ele está envolvido na comercialização dos serviços.
Limites da Atuação de Influenciadores
Advogados especializados em Direito Eleitoral destacam que influenciadores têm permissão para atuar nas eleições, podendo oferecer serviços de consultoria política e marketing, desde que não cobrem pela promoção em suas próprias redes ou recebam qualquer tipo de vantagem em troca de apoio. Desse modo, tanto Sabará quanto Marçal podem brindar consultoria visando as eleições de 2026, desde que não realizem propaganda explícita para os candidatos com os quais firmaram acordos comerciais.
A aproximação de Sabará com a campanha de Flávio Bolsonaro tem gerado desconforto entre aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em 2024, Marçal enfrentou Ricardo Nunes, que contava com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador paulista.
Ao longo de sua campanha, o empresário, que acumulou fortuna oferecendo programas de mentoria nas redes sociais, posicionou-se como um verdadeiro representante da direita, tentando deslocar Nunes em sua base eleitoral. Ele fez comentários que deixaram claro seu descontentamento com a situação política: — Eu avisei, toda vez que meu nome for mencionado, vou devolver a energia. Se ele (Nunes) diz que estou em declínio, vou lhe dar um apelido: “goiabinha”. Os dois se tornaram conhecidos como “dupla bananinha e goiabinha”.

