Protesto de Grupos de Defesa
Um grande movimento em defesa dos direitos humanos e do esporte ganha força. Mais de 80 organizações, incluindo a Sport & Rights Alliance (SRA) e a ILGA World, enviaram um apelo ao Comitê Olímpico Internacional (COI) pedindo que o comitê desista de seus planos de implementar testes genéticos universais para atletas do sexo feminino. As medidas também incluem uma proibição geral de competidores transgêneros e intersexuais, algo que, segundo os grupos, representaria um retrocesso na igualdade de gênero no esporte.
Em uma declaração conjunta divulgada na terça-feira (17), esses grupos alertaram que as medidas previstas para serem recomendadas pelo Grupo de Trabalho de Proteção da Categoria Feminina do COI ferem os princípios de justiça e equidade que o comitê afirma defender. “Várias fontes indicaram que o grupo sugeriu que todas as mulheres e meninas atletas passassem por verificações genéticas e que a participação de atletas transgêneros e intersexuais fosse proibida em eventos femininos”, revela o comunicado. No entanto, até o momento, o COI não confirmou publicamente essas recomendações.
A diretora executiva da SRA, Andrea Florence, enfatizou que a implementação de testes de gênero e uma política de exclusão geral seriam uma “erosão catastrófica dos direitos e da segurança das mulheres”. Em suas palavras, “o policiamento e a exclusão de gênero prejudicam todas as mulheres e meninas, minando a dignidade e a justiça que o COI se propõe a proteger”.
Críticas e Consequências
O COI, que está programado para anunciar as conclusões de seu grupo de trabalho no primeiro semestre de 2026, suspendeu o teste universal de sexo após os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Essa decisão reflete a crescente preocupação com a discriminação e os impactos negativos desses testes. Organizações internacionais, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a ONU Mulheres e a Associação Médica Mundial, condenam essas práticas, considerando-as discriminatórias e prejudiciais.
De acordo com Payoshni Mitra, diretora executiva da Humans of Sport, os testes de sexo não só violam a privacidade de mulheres e meninas, mas também expõem atletas jovens a riscos desnecessários. Ela destaca que a proibição de atletas transgêneros e intersexuais ignora as barreiras significativas que estes enfrentam, como o assédio e o acesso restrito ao esporte.
“O esporte deve ser um lugar de pertencimento”, afirmou Julia Ehrt, diretora executiva da ILGA World, reforçando a necessidade de um ambiente inclusivo para todos os atletas. Os grupos de defesa argumentam que as propostas do COI contradizem a própria Estrutura de 2021 do comitê sobre Equidade, Inclusão e Não Discriminação, evidenciando a incoerência nas políticas que visam promover a igualdade no esporte.
A World Athletics, por sua vez, já implementou testes de gênero e introduziu um teste do gene SRY para todas as atletas femininas antes do Campeonato Mundial realizado no ano passado, em Tóquio. Essa prática gera ainda mais debate sobre a inclusão e a igualdade de oportunidades no esporte internacional.
A pressão sobre o COI se intensifica, enquanto a comunidade esportiva e de direitos humanos observa ansiosamente como o comitê reagirá a essas demandas e quais medidas efetivas serão adotadas para garantir um ambiente mais justo e acolhedor para todas as atletas.

