O que é chikungunya e como se transmite

Com a chegada do período chuvoso no Centro-Oeste, que vai até o início de maio, a proliferação do mosquito Aedes aegypti se torna uma preocupação crescente. Embora esse vetor seja mais conhecido por transmitir a dengue, ele também é responsável pela disseminação de outras doenças, incluindo a chikungunya, que merece atenção redobrada.

Segundo Aline Factur, enfermeira da Gerência de Vigilância das Doenças Transmissíveis (GVDT) do Distrito Federal, a chikungunya é uma doença de notificação compulsória e apresenta riscos significativos à saúde pública devido ao seu potencial de causar dores articulares intensas e incapacitantes. Muitas vezes, esta condição pode se tornar crônica, afetando a qualidade de vida dos pacientes por meses ou até anos.

Complicações e a importância do diagnóstico

A enfermeira destaca que, em casos mais graves, a chikungunya pode levar a manifestações sistêmicas que incluem problemas neurológicos, como encefalite e síndrome de Guillain-Barré, além de complicações cardíacas, respiratórias e renais. Embora fatalidades sejam incomuns, a possibilidade de hospitalização é real, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com comorbidades existentes. Isso reforça a urgência de uma vigilância constante, identificação precoce e acompanhamento adequado dos casos.

Reconhecendo os sintomas da chikungunya

Os sintomas iniciais da chikungunya incluem mal-estar, dores musculares, cefaleia, e o surgimento de manchas avermelhadas pelo corpo que não coçam. Os sinais mais característicos da doença são a vermelhidão e a dor aguda nas articulações, afetando principalmente joelhos, tornozelos, mãos, cotovelos e ombros.

A infecção pelo arbovírus chikungunya apresenta três fases clínicas. Na fase aguda, que dura de 5 a 14 dias, o indivíduo enfrenta febre alta e dores articulares intensas. Com a cessação da febre, as dores podem persistir entre 15 a 90 dias. Em mais de 50% dos casos, os pacientes entram na fase crônica, onde as dores articulares continuam por mais de 90 dias, podendo se estender por meses ou até anos, prejudicando substancialmente a qualidade de vida.

A semelhança com outras arboviroses

O reconhecimento da chikungunya pode ser complicado, pois seus sinais e sintomas iniciais são muito semelhantes aos de outras arboviroses, como dengue e zika. Todos compartilham sintomas como febre súbita, dor de cabeça e mal-estar geral, além de serem transmitidos pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti. Essa semelhança pode levar a diagnósticos incorretos.

Mesmo na fase crônica, o diagnóstico da chikungunya pode ser negligenciado, já que dores nas articulações são comuns em diversas condições de saúde. Portanto, Aline Factur enfatiza a necessidade de uma suspeição clínica acurada e de atenção epidemiológica para o vírus, que foi introduzido no Distrito Federal em 2015 e, desde então, apresenta um aumento contínuo de casos confirmados.

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