Detalhes do Julgamento
O julgamento da maior chacina já registrada no Distrito Federal entrou para a história ao atingir mais de 10 horas de duração. Iniciado por volta das 9h e encerrado antes das 19h50, a primeira sessão teve um público tenso e aguardará seu desfecho nesta terça-feira, 14.
A expectativa inicial era ouvir até 12 testemunhas, mas ao final, o júri ouviu apenas seis delas. Entre os depoentes estavam um agente da Polícia Civil do DF, dois agentes de Goiás, um policial rodoviário federal e o pai de uma das vítimas. Os crimes ocorreram entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, resultando em um caso que chocou a capital do país.
Investigações e Principais Testemunhas
Um dos principais momentos do julgamento foi a oitiva do delegado Achilles Benevides Júnior, que acompanhou a investigação desde o início. Ele falou por cerca de duas horas, detalhando como a apuração se desenrolou e levando à identificação dos suspeitos envolvidos. Ao todo, 23 testemunhas devem ser ouvidas ao longo do processo, incluindo tanto policiais que participaram das investigações quanto indivíduos indicados pela defesa e pela acusação. A previsão é de que o julgamento prossiga até o próximo domingo, 19.
Ambiente no Plenário
No plenário, os cinco réus – Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva – estavam algemados e sentados lado a lado, mas as regras do tribunal impediram qualquer comunicação entre eles. Durante a sessão, os réus demonstraram pouca ou nenhuma emoção, mesmo quando familiares das vítimas estavam presentes para acompanhar os depoimentos.
Motivação para a Chacina
A motivação por trás da chacina é um dos aspectos mais sombrios do caso. A Polícia Civil concluiu que os crimes foram provocados por uma disputa relacionada a uma chácara de 5,2 hectares, avaliada em cerca de R$ 2 milhões, localizada na região do Paranoá, onde algumas vítimas residiam. Antes dos assassinatos, as terras já eram alvo de litígios na Justiça.
Entre os crimes descritos na denúncia da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina, estão homicídios qualificados, extorsão, roubo, sequestro e ocultação de cadáver, todos com penas que variam de poucos anos a longas sentenças, dependendo da gravidade de cada ato.
As Vítimas da Chacina
De acordo com a Polícia Civil, as vítimas da chacina somam dez pessoas, incluindo três crianças. O plano dos criminosos era eliminar os herdeiros da propriedade para que pudessem tomar posse das terras. Entre os familiares assassinados, estão:
- Elizamar Silva, 39 anos – cabeleireira;
- Thiago Gabriel Belchior, 30 anos – esposo de Elizamar;
- Rafaela, Gabriel e Rafael da Silva – filhos de Elizamar e Thiago;
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos – pai de Thiago;
- Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior – mãe e irmã de Thiago;
- Cláudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira – ex-mulher e filha de Marcos Antônio.
O desaparecimento de Elizamar e seus filhos ocorreu na noite de 12 de janeiro de 2023. Em busca de Thiago, ela saiu em um veículo que posteriormente foi encontrado com quatro corpos carbonizados nas proximidades de Cristalina, em Goiás. O marido de Elizamar era também considerado desaparecido.
Nos dias seguintes, o desaparecimento de outras três pessoas da família foi registrado, e as investigações levaram à recuperação de mais corpos e à identificação de todos os envolvidos. Os detalhes desse caso estão sendo amplamente acompanhados pela sociedade, que aguarda a continuidade deste julgamento que já é considerado um marco na história criminal do Distrito Federal.
