Evento Reúne Diversos Atores do Setor
Na última terça-feira (3), os assessores especiais do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Augustin e Pedro Cunto, marcaram presença no evento “Eco Invest: da Estratégia à Implementação”, realizado em São Paulo (SP). A iniciativa, promovida pelos parceiros do projeto de Inovação Financeira para Amazônia, Cerrado e Chaco (IFACC), contou com a presença de representantes do governo, instituições financeiras, organizações internacionais e da sociedade civil. O encontro teve como objetivo discutir o progresso do 2º leilão do Eco Invest Brasil, com a participação de membros do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e do Fórum Econômico Mundial.
No debate, Carlos Augustin enfatizou a relevância do Eco Invest Brasil como uma ferramenta essencial para garantir o financiamento do programa Caminho Verde Brasil, que ele coordena dentro do Mapa. “O propósito é reabilitar áreas degradadas com juros baixos e manutenção da produtividade. Recursos externos, embora atrativos, se tornam dispendiosos para os produtores devido à proteção contra variações cambiais. Implementar a sustentabilidade de forma eficaz demanda taxas de juros acessíveis. O Eco Invest resolve essa questão”, afirmou.
Próximos Passos e Expansão do Programa
Augustin também compartilhou os planos futuros para a expansão do Caminho Verde Brasil, ressaltando que a continuidade do programa deve buscar uma diversificação nas fontes de financiamento. “A sustentabilidade do Caminho Verde Brasil não pode depender exclusivamente do Eco Invest. Precisamos de soluções inovadoras para financiar a continuidade do programa e incluir pequenos produtores que enfrentam dificuldades em conseguir empréstimos. Estamos desenvolvendo um projeto voltado para a Caatinga que interliga bancos, indústrias e pequenos produtores. Se for bem-sucedido, poderá transformar toda a região”, destacou o coordenador.
O representante do Comitê Executivo do Eco Invest Brasil, Mário Gouvêa, também mencionou a magnitude das operações em andamento para apoiar o Caminho Verde Brasil. A primeira operação já foi divulgada, enquanto outras instituições financeiras estão em fase de estruturação de novos contratos. “Estamos diante do maior programa de recuperação de terras degradadas do mundo, com um potencial real de transformar a produção e o meio ambiente”, garantiu.
Inovação e Inclusão no Programa
Gouvêa ainda ressaltou a natureza inovadora do programa sob a ótica da Secretaria do Tesouro Nacional. “O Eco Invest se destaca por não restringir o crédito apenas a produtores. Empresas âncora e cooperativas também podem acessar os recursos, o que ajuda a reduzir os custos de supervisão, ampliar o financiamento e consolidar um instrumento financeiro mais abrangente”, explicou.
A diretora de engajamento do setor financeiro da Tropical Forest Alliance, uma iniciativa vinculada ao Fórum Econômico Mundial, afirmou que o evento teve um papel crucial para aprofundar o diálogo entre os diferentes envolvidos na implementação dos programas. “Conseguimos ouvir diversas perspectivas sobre o Eco Invest e o Caminho Verde Brasil, o que nos ajudou a entender os desafios e oportunidades que os programas apresentam. O IFACC reafirma seu compromisso em apoiar instituições financeiras na superação dos obstáculos de implementação, transformando capital catalítico em impactos concretos na recuperação de terras e na preservação ambiental”, destacou.
Objetivos do Eco Invest Brasil e Caminho Verde Brasil
O Eco Invest Brasil foi criado para fomentar investimentos privados sustentáveis e atrair capital externo voltado para projetos de longo prazo no país. O programa fornece instrumentos financeiros que minimizam riscos, como mecanismos de proteção contra a volatilidade cambial.
A estrutura do programa visa viabilizar investimentos em áreas estratégicas, incluindo transição energética, bioeconomia, economia circular, infraestrutura verde e adaptação às mudanças climáticas. Por sua vez, o Caminho Verde Brasil estabelece metas ambiciosas, com o objetivo de restaurar até 40 milhões de hectares de áreas degradadas para práticas de produção agropecuária e florestal sustentáveis ao longo de uma década.
A iniciativa busca aumentar a produção de alimentos e biocombustíveis sem a necessidade de desmatamento de novas áreas de vegetação nativa. Além disso, contribui para a segurança alimentar, a transição energética e a conservação ambiental, consolidando a posição do Brasil na agenda global de desenvolvimento sustentável.
