Conclusões da Auditoria e Encaminhamento à PF
O Banco de Brasília (BRB) anunciou nesta terça-feira (7) a finalização da auditoria que investigou as operações que envolveram o Banco Master. O relatório final foi encaminhado à Polícia Federal, que poderá adotar as “eventuais medidas cabíveis”. Essa etapa foi liderada pelo escritório Machado Meyer Advogados, com apoio técnico da Kroll.
A auditoria teve como foco a segunda fase da investigação, que analisou o processo de compra e substituição das carteiras adquiridas pelo BRB junto ao conglomerado liderado por Daniel Vorcaro. Na fase inicial, foram identificadas sobreposições de nomes e fundos associados à compra de ações do BRB e aqueles implicados em um esquema de fraude relacionado à aquisição de carteiras de crédito que totalizaram R$ 12,2 bilhões.
De acordo com um fato relevante divulgado pelo BRB, a “comissão independente de investigação” confirmou o recebimento do relatório final, que contém as conclusões dos trabalhos realizados. O banco enfatizou seu compromisso com a transparência e a governança corporativa, afirmando que as informações foram enviadas à Polícia Federal para que sejam tomadas as devidas providências, caso se identifique materialidade.
Achados Relevantes e Suspeitas de Fraude
Em fevereiro, o BRB já havia revelado que detectou “achados relevantes” durante a primeira fase da auditoria e decidiu entregar um relatório preliminar à Polícia Federal e ao Banco Central para confirmar a ocorrência de possíveis atos ilícitos. O foco inicial da auditoria levantou suspeitas sobre a atuação de antigos gestores do banco, incluindo o ex-presidente Paulo Henrique Costa, cujos nomes foram mencionados em investigações sobre o caso.
Um aspecto que chamou a atenção dos investigadores foi a forma como Vorcaro, juntamente com Maurício Quadrado, seu ex-sócio, e João Carlos Mansur, da administradora de fundos Reag, tornaram-se acionistas do BRB. Isso ocorreu de maneira oculta, através de fundos de investimento, enquanto o banco expandia seu capital por meio de ofertas de ações que arrecadaram R$ 1 bilhão em 2024.
Esses dois elementos levantaram desconfianças sobre a ampliação do patrimônio do BRB, que poderia estar, na verdade, ampliando sua capacidade de negócios com o Banco Master. Essa base de dados foi utilizada para a abertura de um inquérito pela Polícia Federal que investiga se a antiga gestão do BRB tinha conhecimento sobre os beneficiários finais dos fundos e se teve alguma ligação com a ascensão dos indivíduos investigados na operação conhecida como Compliance Zero.
Investigação em Andamento e Resposta do Ex-Presidente
A investigação está apurando possíveis crimes de gestão fraudulenta e temerária no âmbito da instituição financeira. Procurado para comentar sobre as suspeitas, o ex-presidente do BRB não se manifestou. Entretanto, segundo informações de pessoas próximas a ele, Costa considera as acusações injustas e defende que não tinha conhecimento da estrutura dos beneficiários finais até a homologação do processo pelo Banco Central, um evento que ocorreu em abril de 2025.

