A Turbulenta História do Banco Master
A história do Banco Master, que começou a se desdobrar após a intervenção do Banco Central em 18 de dezembro, é marcada por fraudes que somam impressionantes R$ 12,2 bilhões. Com isso, o Banco Central vetou a compra de 49% das ações do Master pelo Banco Regional de Brasília, governado por Ibaneis Rocha (MDB-DF). Essa transação, que ocorreu no auge de um cenário de incertezas, levantou questionamentos sobre a eficácia da supervisão financeira no país.
No dia 20 de dezembro, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan Pereira de Jesus, pediu explicações ao Banco Central em um prazo de 72 horas, ameaçando suspender a liquidação do Banco Master. A solicitação gerou surpresa entre seus colegas, dado que não havia recursos públicos federais envolvidos e o TCU estava em recesso. A notificação, que chegou ao Banco Central apenas em 22 de dezembro, estabeleceu novo prazo para o fim da manhã de 30 de dezembro. Essa situação caótica indica como as decisões no cenário financeiro podem ser influenciadas por pressões políticas.
Acareação e Suspeitas
Outra reviravolta que assustou o mercado foi a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Antônio Dias Toffoli, de convocar uma acareação entre o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros envolvidos na investigação, como o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Aílton de Aquino Santos. A polêmica se acirrou pelo fato de que o diretor que vetou a operação entre o BRB e o Master era Renato Dias Brito Gomes, que teve seu mandato antecipadamente encerrado pelo presidente Lula.
Desde sua criação, o Banco Master estabeleceu conexões com figuras influentes do “Centrão”, oferecendo rendimentos exorbitantes de até 140% dos juros dos CDIs. Essa estratégia agressiva de captação de recursos se baseava em promessas de segurança aos investidores, com garantias do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que, por sua vez, gerou riscos que agora somam mais de R$ 61 bilhões a serem honrados pelo fundo.
Desafios e Impasses
A escalada das taxas de juros da Selic em 2024 trouxe à tona novos problemas financeiros para o Banco Master. A proposta de aumentar o teto de proteção do FGC para R$ 1 milhão, sugerida pelo senador Ciro Nogueira (PP), foi barrada pelos grandes bancos. Mesmo diante de dificuldades, práticas questionáveis persistiram, com campanhas de ofertas de comissões para a colocação de papéis junto a fundos de pensão de funcionários públicos, expondo um esboço de conluio.
O Banco Master, que nasceu com operações em Minas Gerais e na Bahia, sempre apresentou uma estrutura patrimonial complexa, dificultando a avaliação de seus ativos. Títulos de precatórios judiciais, estimados em mais de R$ 10 bilhões, e ativos de empresas de baixa liquidez tornaram o panorama ainda mais nebuloso. A KPMG, responsável pela auditoria, apontou que a mensuração dos ativos era problemática e que o emaranhado de instituições vinculadas complicava ainda mais a situação.
Credibilidade em Jogo
As relações do Banco Master com o mundo político afetaram a credibilidade do Supremo Tribunal Federal. Casos recentes indicam conflitos éticos, como a conexão entre parentes de ministros e a advocacia privada. Um exemplo alarmante é o contrato milionário celebrado entre o escritório Barci de Moraes, dirigido por Viviani Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o Banco Master, que prometia R$ 3,6 milhões mensais até 2027.
À medida que as investigações avançam, a atuação de figuras políticas, como o presidente do STF, Edson Fachin, que busca um código de conduta para juízes, torna-se ainda mais urgente. A necessidade de restaurar a confiança no sistema judiciário é evidente, especialmente em um momento em que o Brasil enfrenta um debate acirrado sobre a democracia e a justiça.
Um Fim de Ano Conturbado
Com o encerramento do ano, a situação política se torna ainda mais tensa. A prisão de Eduardo Bolsonaro, por exemplo, é um reflexo das turbulências que cercam o clã Bolsonaro, enquanto o clima de incerteza se intensifica. A combinação de fraudes no sistema financeiro e as pressões políticas evidencia a fragilidade do momento, despertando preocupações sobre o futuro do setor e a confiança pública nas instituições brasileiras.

