A Aviação Agrícola no Brasil: Dados Reveladores
O Brasil encerrou o ano de 2025 com um impressionante total de 2.866 aeronaves agrícolas tripuladas registradas, refletindo um crescimento de 5,25% em comparação com o ano anterior. Os dados fazem parte da Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira de Aviões e Helicópteros 2025, realizada pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). Essa pesquisa reafirma a posição do Brasil como a segunda maior frota de aviação agrícola do mundo, superada apenas pelos Estados Unidos, que operam cerca de 3.600 aeronaves.
De acordo com um relatório recente da General Aviation Manufacturers Association (GAMA), o Brasil não apenas se destaca pela quantidade de aeronaves, mas também se confirma como o principal mercado internacional para fabricantes de aviões agrícolas. Este crescimento contínuo da frota tem sido uma constante nos últimos 15 anos. Em 2009, o País contabilizava apenas 1.498 aeronaves agrícolas, menos da metade do número registrado atualmente. Vale ressaltar que esse aumento ocorreu mesmo em contextos de instabilidade econômica, incluindo a pandemia de Covid-19.
Um Setor em Expansão
Desde 2022, o crescimento da aviação agrícola se intensificou, impulsionado pelo aumento da produção de grãos e pela ampliação das áreas cultivadas, especialmente em regiões onde a agricultura extensiva é praticada. Os aviões agrícolas são utilizados para diversas finalidades, incluindo a aplicação de defensivos, fertilizantes e sementes, além de desempenharem um papel crucial no combate a incêndios e na dispersão de insumos biológicos.
O estudo do Sindag também revela uma mudança estruturante significativa no setor. Hoje, 62,9% das aeronaves estão vinculadas a Serviços Aéreos Especializados (SAE), empresas que oferecem serviços para os produtores rurais. Por outro lado, 35,7% das aeronaves pertencem a operadores privados — agricultores que têm suas próprias aeronaves. Entre 2023 e 2025, 119 aeronaves migraram da categoria privada para o modelo empresarial, evidenciando uma tendência de profissionalização, ganho de escala e adaptação às exigências regulatórias e ambientais.
Tecnologia e Profissionalização no Setor
A modernização do setor é acompanhada da adoção de operações tecnificadas, que incluem rastreabilidade de aplicações, monitoramento via telemetria e integração com técnicas de agricultura de precisão. Essa transformação é essencial para atender à crescente demanda por eficiência e segurança nas operações de aviação agrícola.
A distribuição da frota revela a importância regional do agronegócio brasileiro. Mato Grosso lidera com 803 aeronaves, o que representa 27,5% do total nacional. Os estados do Rio Grande do Sul (398), São Paulo (328) e Goiás (320) também se destacam, juntos concentrando mais da metade da estrutura aeroagrícola do País. A relevância de Mato Grosso está diretamente ligada à produção em larga escala de soja, milho e algodão, onde o uso da aviação para aplicação é estratégico devido à rapidez e cobertura em janelas operacionais limitadas.
Equilíbrio entre Aeronaves Nacionais e Importadas
O levantamento aponta um equilíbrio notável entre aeronaves nacionais (51%) e importadas (49%). A Embraer continua a dominar o mercado interno, especialmente com seus modelos movidos a etanol, um diferencial tecnológico que consolidou o Brasil como referência nesse segmento. Por outro lado, as aeronaves turboélices da norte-americana Air Tractor ganham espaço, sendo reconhecidas pela elevada capacidade de carga e eficiência operacional.
O ambiente de forte demanda interna tem sido um motor para encomendas e renovação da frota, mesmo diante de flutuações cambiais. Um dos marcos significativos do relatório é a introdução do primeiro avião agrícola autônomo em operação no Brasil: o Pyka Pelican. Embora atualmente haja apenas uma unidade em operação, este passo sinaliza a entrada progressiva de sistemas autônomos em um setor tradicionalmente dependente de pilotos altamente qualificados.
Desafios e Futuro da Aviação Agrícola
A incorporação de tecnologias autônomas e elétricas deverá avançar de forma gradual, conforme o arcabouço regulatório se desenvolve e os custos operacionais se tornam mais competitivos. A aviação agrícola é um componente crítico da infraestrutura do agronegócio brasileiro, onde a eficiência na aplicação pode influenciar diretamente o controle fitossanitário e a produtividade final.
Com crescimento contínuo, maior profissionalização e inovação tecnológica, o setor solidifica seu papel como um elo logístico fundamental em uma cadeia que contribui significativamente para o PIB e as exportações do Brasil. Contudo, especialistas do setor ressaltam que o grande desafio será equilibrar a expansão do setor com a sustentabilidade ambiental e a segurança operacional, em um cenário regulatório cada vez mais rigoroso.

